Zulaiê cobra verbas para o Departamento de Aviação Civil

A presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), questiona se o governo federal vai esperar acontecer um acidente áereo grave para começar a dar verbas suficientes para o setor. "Será preciso que aviões batam no céu provocando muitas mortes para o governo ver que está se esquecendo de investir neste ramo?", advertiu a deputada.O orçamento do Departamento de Aviação Civil (DAC), responsável pelo controle de vôos no País, tem caído ao longo dos últimos anos. "Agora, no governo Lula piorou muito", diz Zulaiê, afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cortou verbas de todas as áreas para fazer superávit nas contas públicas. Sem dinheiro, alerta a deputada, o DAC está perdendo técnicos especializados que controlam vôos no País. Os técnicos são demitidos ou mudam-se para o exterior.A deputada contou que, em junho passado, o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, lhe revelou que a carência de recursos estava comprometendo até mesmo a manutenção de radares e admitiu que a situação estava perigosa. "É um horror", criticou a deputada, que se sente "absolutamente desprotegida" pois sabe que aviões voam no mesmo plano e num espaço muito pequeno entre um e outro. Zulaiê diz que sua apreensão aumenta neste mês de férias, quando milhares de pessoas estão viajando de avião. Para ela, aviação civil deveria ser controlada por um órgão independente do governo, que tivesse à sua disposição muitos recursos. Este órgão deve, na opinião da deputada, permanecer sob controle dos militares, que são altamente profissionalizados nesta área. Se o controle passar a outras mãos, Zulaiê prevê um cenário "pior ainda" para a aviação civil. Quando voltar a Brasília para participar da convocação extraordinária do Congresso, a deputada pretende conversar de novo com o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo (PT-SP), sobre o estrago que as verbas retidas estão provocando no DAC e até para a defesa nacional. Segundo ela, falta até combustível para um avião da FAB perseguir quem invade o espaço aéreo brasileiro. Preocupação na VarigO esvaziamento do Departamento de Aviação Civil (DAC) preocupa os pilotos da Varig, maior companhia aérea brasileira. Segundo o vice-presidente da Associação dos Pilotos da Varig (Apvar), Márcio Marsillac, o "vácuo regulatório" no setor e a combalida situação financeira das companhias podem, no longo prazo, afetar a qualidade e a segurança dos vôos."A situação, pelo menos na Varig, ainda continua livre de riscos, pois a empresa adota um padrão de segurança acima da média", garante ele. "Mas o governo precisa tomar medidas do ponto de vista regulatório e financeiro para que os investimentos não sejam reduzidos", alerta. "Como será o marco regulatório? Quem será o regulador? Estas questões precisam ser respondidas urgentemente", disse.Segundo ele, o DAC precisa de recomposição de quadros e de aumento de verbas para cumprir esta função enquanto as discussões em torno da criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) continuam emperradas.A Apvar representa 750 dos 1,1 mil pilotos da Varig e encabeça uma organização que congrega as principais categorias ligadas à atividade na empresa, como comissários de bordo e controladores de vôo, a Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). O vice-presidente da Apvar contou que não há ainda um clima de insegurança entre os funcionários, mas reconheceu a existência do problema na fiscalização dos aeroportos e pede ação por parte do governo."Não podemos descobrir que houve problemas na fiscalização depois de ocorrer alguma tragédia. Temos de descobrir antes, para evitar acidentes", afirmou.

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