2 acusados de morte de mulher que fez aborto em Niterói são presos

Polícia cumpriu mandados de prisão temporária por homicídio; outras duas pessoas são procuradas por participação no crime

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 10h10

RIO - Dois acusados de envolvimento no homicídio de Elizângela Barbosa, que morreu após fazer um aborto no sábado, 20, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foram presos na noite desta segunda-feira, 29, por policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). Outras duas pessoas são procuradas por participação no crime. Todos serão indiciados por homicídio doloso e formação de quadrilha.

De acordo com as investigações da DHNSGI, Rildo José Medeiros dos Santos seria enfermeiro e o responsável por agenciar grávidas e levá-las até a clínica clandestina no bairro Sapê. Já Lígia Maria Silva era líder do grupo e teria participado da operação para realização do aborto.

Segundo o delegado Adilson Palácio, responsável pelo caso, a dupla confessou ter usado a casa para realizar abortos. Nos próximos 15 dias, o delegado receberá o exame de DNA feito em um colchão apreendido no local para saber se as marcas de sangue são de Elizângela.

Os dois foragidos são filhos de Lígia: Sheila Cristina Silva Teixeira, de 37 anos, e Wagner Silva, de 27. Os advogados de ambos negociam com a polícia uma rendição ainda nesta terça-feira, 30. Wagner é apontado como o homem que levou Elizângela para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca, em Niterói, onde morreu minutos após dar entrada.

O caso. Grávida de cinco meses do quarto filho, Elizângela saiu de casa em São Gonçalo, também na Região Metropolitana, no sábado para realizar o aborto. Apesar de discordar do procedimento, o marido não impediu a decisão da mulher e a levou até o ponto de encontro, no bairro Engenho Pequeno, em São Gonçalo. De acordo com ele, ela levou R$ 2,8 mil para realizar o procedimento.

Na noite de domingo, 21, a mulher foi levada para o Azevedo Lima onde morreu. Wagner chegou a ser levado para prestar depoimento na delegacia, mas alegou que foi parado na Estrada de Ititioca, que é cercada por favelas, e obrigado a deixá-la no hospital.

Na necropsia, um tubo plástico usado para realização de abortos foi encontrado no útero de Elizângela. As investigações apontam que o feto foi jogado no lixo.

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