José Lucena/Futura Press
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202 pessoas são detidas por depredar sindicato de comerciários no Rio

Segundo a polícia, grupo saiu de São Paulo e confessou ter sido contratado para provocar tumulto em eleição nesta quarta-feira

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2015 | 09h04

Atualizada às 20h02

RIO - Um grupo de 202 pessoas depredou oito dos nove andares da sede do Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio, no centro, na madrugada desta quarta-feira, 17, horas antes da eleição da nova diretoria sindical. Os prejuízos foram avaliados pelo sindicato em R$ 3 milhões, com seis consultórios médicos e três odontológicos danificados, além de computadores e documentos de diversos setores destruídos. Ninguém ficou ferido.

Ao sair do prédio soltando bombas e fogos de artifício, o grupo foi detido por PMs. Com eles havia, segundo a polícia, facas, canivetes, cassetetes, rojões, fogos de artifício, socos ingleses, garrafas de bebidas alcoólicas e pequenas quantidades de maconha e cocaína.

“Foi uma arruaça. A maioria estava encapuzada. As pessoas que estavam na região correram assustadas”, disse o tenente Rafael Araújo, que participou do cerco ao grupo.

Objetivo. Segundo a Polícia Civil, o grupo veio de São Paulo em ônibus e cada pessoa recebeu R$ 100 para tumultuar a eleição. O objetivo era destruir as cédulas e urnas que seriam usadas no processo eleitoral. Panfletos da Chapa 3, “Oposição, Trabalho e Ética”, também foram encontrados com o grupo, informou a polícia, que trabalha com a hipótese de que a ação tenha ocorrido a mando de uma das três chapas que concorrem na eleição.

“Estamos surpresos, não apoiamos nenhum tipo de violência, não temos recursos para contratar capangas”, disse Ademar Isidoro de Araújo, candidato da Chapa 3. O comerciário acusa o interventor José Carlos Nunes, nomeado pela Justiça do Trabalho para atuar no sindicato após as denúncias de irregularidades, de favorecer partidos políticos e a

Chapa 1. Em gravação postada na internet por membros da Chapa 3, Nunes fala em não deixar a União Geral dos Trabalhadores (UGT) assumir o sindicato.

O interventor questionou a legitimidade do áudio e negou beneficiar qualquer chapa. “Não há favorecimento”, afirmou. A intervenção judicial no sindicato foi decretada após investigação do Ministério Público do Trabalho ter afastado o presidente Otton da Costa Mata Roma e três dirigentes, acusados de corrupção, favorecimento pessoal e nepotismo.

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