3 juízes substituirão magistrada morta

Trio formará força tarefa para estudar os casos que estavam com Patrícia Acioli; plano é checar se há envolvimento entre réus e crime

Bruno Boghossian / RIO,

14 Agosto 2011 | 23h34

Uma força tarefa formada por três juízes assume nesta segunda-feira, 15, a 4.ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde atuava a juíza Patrícia Lourival Acioli, executada com 21 tiros na noite de quinta-feira em Niterói. Magistrados farão levantamento dos casos que estavam sob responsabilidade da juíza para avaliar possíveis ligações entre réus dos processos e o assassinato. Mas o trio não deverá dar prosseguimento aos processos. Para isso, seria necessário pedir vistas antes dos julgamentos.

 

Os trabalhos no Fórum de São Gonçalo deverão contar com forte esquema de segurança, mas funcionários acham que nenhuma audiência será feita nesta semana. A função principal do grupo será levantar detalhes sobre todos os casos para o cruzamento dos dados com pistas que estão sendo levantadas pela polícia em torno dos suspeitos pelo crime.

 

Estava prevista para esta semana sessão de júri de um policial militar acusado de envolvimento com uma milícia que atuava em São Gonçalo. A expectativa era de que a sentença fosse proferida por Patrícia nessa sessão. As investigações convergem, até o momento, para a hipótese de que a juíza tenha sido morta a mando de réus ou condenados por ela.

 

A possibilidade de crime passional - o namorado da juíza, o PM Marcelo Poubel a teria agredido fisicamente pelo menos duas vezes -, embora não descartada oficialmente, é cada vez mais improvável na avaliação dos investigadores. Ontem, equipes da Divisão de Homicídios, chefiadas pelo delegado Felipe Ettore, fizeram novas diligências em Niterói e São Gonçalo. Mas, até o início da noite, não haviam sido divulgadas informações sobre os trabalhos. Até ontem, 20 pessoas já haviam prestado depoimento.

 

Na tarde de sábado, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, Nelson Calandra, deixou escapar, antes de se reunir com o titular da DH e a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, que 12 suspeitos integrariam lista de possíveis envolvidos. Mas a informação não foi confirmada. Protestos.

 

A ONG Rio do Paz, que promoveu no fim de semana protesto na Praia de Icaraí, em Niterói, volta a comandar manifestação hoje, a partir das 11h30, na frente do Fórum de São Gonçalo. O grupo espera a adesão de centenas de pessoas. A ideia é que os manifestantes permaneçam de pé, amordaçados, em alusão aos efeitos do atentado sobre a liberdade do Judiciário. A juíza Patrícia Acioli era conhecida pelo rigor adotado nas condenações de réus, policiais ou não, envolvidos em milícias e grupos de extermínio.

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