JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS
JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

4 PMs são presos suspeitos de matar 5 jovens no Rio

Vítimas foram fuziladas no carro em que estavam em Costa Barros; policiais foram detidos por homicídio e fraude processual

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

29 Novembro 2015 | 13h30

(Atualizado às 19h23) RIO - Cinco jovens foram assassinados por policiais militares na noite de sábado em Costa Barros, zona norte do Rio. Ontem, a Polícia Civil confirmou a prisão em flagrante de quatro policiais, três deles pelos assassinatos e todos por forjar a cena do crime. Familiares das vítimas cobraram explicações do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame - até o início da noite nem ele nem o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, manifestaram-se sobre o caso.

Os jovens foram mortos após o carro em que estavam, um Palio branco, ser cravejado com dezenas de tiros. Segundo a mãe de Wilton Esteves Domingos Junior, que guiava o veículo, os cinco jovens aproveitaram a noite de sábado para comemorar, no Parque Madureira, área de lazer na zona norte inaugurada ano passado, o primeiro salário de Roberto de Souza Penha, 16 anos, também morto na ação policial.

Conforme amigos e parentes da família, após voltarem do Parque Madureira, os jovens saíram novamente para comer um lanche. Na volta da segunda saída, foram atacados pelos policiais. O crime ocorreu por volta de 22 horas, perto de uma favela conhecida como Morro da Lagartixa, na Estrada João Paulo, que cruza a Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso ao Rio.

A mãe de Wilton, Márcia Ferreira de Oliveira Domingos, de 38 anos, contou que foi avisada do crime ainda na noite de sábado, pelo seu filho caçula, o irmão de Wilton, de 16 anos. Moradora da favela, Márcia acusou os policiais de impedirem o socorro às vítimas e de adulterarem a cena do crime.

"Quando eu cheguei lá, eles estavam querendo mudar a cena do crime, para poder dizer que eles eram bandidos", disse Márcia ao Estado, pouco antes de reconhecer o corpo do filho no Instituto Médico Legal (IML). "Não me deixaram chegar perto. Eu fiquei gritando e eles ainda estavam vivos lá dentro. Eu vi quando meu filho estava mexendo com a mão", contou. 

Segundo a mãe, Wilton, de 20 anos, estava com a carta de habilitação em dia e estava para se formar como técnico em contabilidade e administração. Márcia fez questão de informar que ele ganhava uma bolsa do governo federal por ser o melhor aluno da turma. 

Também estavam no carro e foram assassinados Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16 anos, Cleiton Correa de Souza, 18 anos, e Wesley Castro Rodrigues, 25 anos.

"Foi uma execução a sangue frio", afirmou o pai de Wesley, Júlio César, encarregado de obras, que foi informado da morte do filho na manhã de ontem, enquanto trabalhava num bico. Há cerca de três meses, Júlio César trabalhava com carteira assinada numa obra em Petrópolis, região serrana do Rio e, havia um mês, Wesley trabalhava lá com ele, como ajudante de obras, segundo contou o pai. "Pobres e negros perderam o direito de ir e vir", disse Júlio César ao Estado, cobrando explicações das autoridades.

Um morador das cercanias, que chegou à cena do crime pouco após o fuzilamento, confirmou ao jornal "Extra" que os policiais tentaram forjar resistência por parte das vítimas. 

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que os policiais militares Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos e Antonio Carlos Gonçalves Filho foram presos em flagrante, por homicídio doloso, com intenção de matar, e fraude processual, enquanto o policial Fabio Pizza Oliveira da Silva foi detido por fraude processual.

"As armas dos policiais militares foram apreendidas e os veículos estão sendo periciados. Testemunhas estão sendo ouvidas", informou a Polícia Civil. O caso está sendo investiga pela 39ª Delegacia de Polícia (DP).

Já a Polícia Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM), para "esclarecer as circunstâncias da ocorrência". "Os agentes estão presos e serão transferidos para a Unidade Prisional. Os policiais responderão perante a Justiça comum e perante a Justiça Militar", diz a nota divulgada pela assessoria de imprensa da corporação.

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.