Clarissa Thomé|Estadão
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À espera de leito, Walter Firmo passa 12 horas em cadeira de rodas em hospital

Fotógrafo ganhador do Prêmio Esso viajou a trabalho para a Bahia no início do mês. Quando voltou, teve crise de diabetes e disritmia cardíaca

Clarissa Thomé, Rio

22 de dezembro de 2015 | 13h54

RIO - O fotógrafo Walter Firmo, de 78 anos, passou 12 horas numa cadeira de rodas na Coordenação de Emergência Regional Miguel Couto, unidade de saúde vizinha ao Hospital Municipal Miguel Couto, que recebe pacientes de baixa e média complexidade. Com crise de diabetes e disritmia cardíaca, Firmo chegou à instituição às 17 horas de segunda-feira. O filho dele, o jornalista Duda Firmo, foi informado que não havia vaga para a internação do pai. "Às 3h30 levei colchonete para que ele ao menos pudesse ficar deitado, mas não deixaram que ele ficasse no chão. Só depois que eu o  fotografei, divulguei para os amigos e até o prefeito ficou sabendo o que estava acontecendo é que ele foi colocado numa maca sem colchão, fria. Depois, ele foi transferido para o Hospital Miguel Couto", contou o jornalista.

Walter Firmo, ganhador do Prêmio Esso de Fotografia e sete vezes vencedor do Concurso Internacional de Fotografia Nikon, viajou a trabalho para a Bahia no início do mês, onde fotografou a Festa de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro. Ao voltar para casa, sentiu-se mal. Foi diagnosticado com diabetes tipo 2 e vinha se tratando. Na segunda-feira, 21, o estado de saúde se agravou, ele teve pressão baixa, disritmia e foi hospitalizado. "Ele pagava plano de saúde com a aposentadoria dele, mas o plano foi cancelado pela operadora, sem nenhum aviso, quando ele completou 76 anos", afirmou Duda.

Firmo foi diagnosticado com pneumonia e diabetes por um médico que o atendeu no Miguel Couto. Outro médico do mesmo hospital disse que ele tinha "problemas no fígado, rim e próstata". "Eles não se acertam nem no diagnóstico. Eu fico com medo que aconteça alguma coisa com meu pai. Ele só foi internado porque é uma pessoa conhecida. Enquanto ele era mais um paciente ficou numa cadeira de rodas de ferro, depois numa maca fria. Meu pai foi tratado com descaso", afirmou o jornalista. Segundo ele, a "desculpa" dos funcionários do Miguel Couto é que o hospital está sobrecarregado por causa da crise na rede estadual, que tem emergências fechadas por atraso no pagamento de fornecedores e de funcionários.

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