Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

'A janela do quarto foi parar na cama', conta moradora

Desesperados após a explosão, eles desceram as escadas o mais rápido que puderam, com a roupa que dormiam; medo era que prédio viesse abaixo

Danielle Villela e Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

18 Maio 2015 | 20h33

RIO - O estrondo e o tremor provocados pela explosão despertaram os moradores do Edifício Canoas. Com a roupa que vestiam durante o sono, em desespero, desceram as escadas o mais rápido que puderam. O medo era que o prédio viesse abaixo. A explosão, que aconteceu na madrugada desta segunda-feira, deixou quatro pessoas feridas.

A arquiteta Elizabeth Rego Monteiro, de 60 anos, acordou com a barulheira causada pelo estouro e pelos destroços que desabavam nas áreas internas e externas do edifício. “A janela do meu quarto foi parar em cima da minha cama”, contou. Moradora do apartamento 1.301, ela apanhou a bolsa com documentos e o cachorro, antes de descer. “Achei que o posto de gasolina (atrás do prédio) tinha explodido.”

Os moradores desceram de pijamas ou roupões, como Renata Mesquita, de 38 anos, moradora do 7.º andar. Inicialmente, ela pensou que a explosão havia acontecido nas obras da linha 4 do metrô, a aproximadamente 500 metros do edifício. 

“Acordamos com o barulho e, quando olhamos na janela, vimos os escombros. Só vesti o roupão por cima da camisola e descemos correndo pelas escadas. Foi muito pânico e terror.” Na correria, Renata, o marido e a filha de 13 anos esqueceram Tom e Nina, os gatos presos na cozinha. Os animais foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros. “Graças a Deus estamos todos bem e nosso apartamento não foi danificado, mas o sentimento que fica é de muito medo e impotência.”

Dificuldade. A professora Rosinete Rocha Dias, de 49 anos, moradora do 6.º andar, sofre de trombose na perna e precisou ser amparada pelos filhos de 24 e 18 anos para descer as escadas. “Todo mundo estava muito nervoso. A gente não sabia direito o que era. As pessoas desceram em ordem, mas desesperadas. Tinha gente chorando e muitas crianças de colo.” Ao chegar à portaria, ela se deparou com mais um obstáculo. “Tinha muito vidro quebrado e não estávamos conseguindo passar.” 

A veterinária Andreia Perry, de 55 anos, que mora no 16.º andar, acordou com o barulho, mas só soube o que estava acontecendo quando foi alertada por um vizinho. “Era como se fosse algo grande sendo derrubado. Aí, um vizinho bateu e disse que um apartamento tinha explodido. Quando abri a porta dos fundos, já pude sentir um cheiro de queimado, de explosão”, afirmou ela, que só pegou a bolsa e remédios. 

“Achei que fosse cair o prédio. Nossa cama saiu do lugar”, contou a médica Tatiana Barreto Lemos, de 32 anos. “Meus quadros da sala estavam no chão. Saí de camisola, só botei um jaleco por cima. Quando abri a porta, havia muito cheiro de fumaça e de gás.”

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