A uma semana do carnaval, polícia do Rio faz operação contra jogo do Bicho

Polícia Civil do Rio cumpre 16 mandados de busca e apreensão nas residências e escritórios de 30 suspeitos; Liga Independente das Escolas de Samba está entre os locais visitados

Marcelo Gomes, de O Estado de S. Paulo,

01 Fevereiro 2013 | 10h24

RIO - Faltando uma semana para o início do carnaval, a Corregedoria da Polícia Civil do Rio realizou ontem a Operação Dedo de Deus 2, com o objetivo de cumprir 16 mandados de busca e apreensão nas residências e escritórios de 30 suspeitos de envolvimento com a máfia do jogo do Bicho.

Entre os locais visitados pelos policiais estão a sede da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) no Centro do Rio, entidade de direito privado responsável pela organização dos desfiles do Grupo Especial no Sambódromo, e dois endereços de Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, na Tijuca (zona norte da capital), e em Niterói (Região Metropolitana). Foram apreendidos computadores e documentos.

Ex-presidente da Liesa, Capitão Guimarães está foragido desde dezembro de 2012, após ter sido condenado pela Justiça Federal do Rio a 47 anos de prisão em regime fechado, pelos crimes de corrupção de agentes públicos e formação de quadrilha.

A ação de ontem é um desdobramento de Operação Dedo de Deus, desencadeada em 15 de dezembro de 2011 para desbaratar a cúpula do jogo do bicho no Estado do Rio. Na ocasião, a Justiça expediu 60 mandados de prisão e 124 de busca e apreensão em endereços nos Estados do Rio, de Pernambuco, da Bahia e do Maranhão. Segundo as investigações, a quadrilha estava investindo em tecnologia - como na substituição dos famosos talonários de papel por máquinas de apostas online, semelhantes às de cartões de débito e crédito - para aumentar os lucros. Todos já conseguiram o direito de responder em liberdade.

Investigação

Ontem, os investigadores também estiveram nas casas de quatro policiais militares suspeitos de fornecerem serviços de segurança para os membros da organização criminosa. Ninguém foi encontrado nas residências, onde foram apreendidas três armas. Os agentes também cumpriram mandados de busca em centrais de apuração do jogo do bicho no Centro do Rio e nos municípios de Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti (Baixada Fluminense). Em Meriti, foram arrecadados carnês de pagamento de veículos financiados em nome dos quatro PMs que estão sendo investigados. "Tudo indica que as prestações destes carros sejam pagas pelo jogo do bicho. É uma forma de dificultar o rastreamento do dinheiro sujo que esses policiais recebem em troca dos serviços de escolta prestados à quadrilha", explicou o delegado Glaudiston Galeano.

Na mansão de Adilson Coutinho de Oliveira, num condomínio de luxo na Barra da Tijuca (zona oeste da capital), foram apreendidos ontem R$ 13.800 em espécie e R$ 360 mil em cheques em seu favor. No mesmo local, na primeira fase da Operação Dedo de Deus, a polícia apreendeu R$ 3,9 milhões em dinheiro vivo. As notas estavam escondidas em fundos falsos na parede, caixas de luz, no esgoto, no sótão e sob plantas. Os policiais utilizaram um carrinho de supermercado para retirar a fortuna do local. Identificado como empresário da construção civil, Adilson é tio do bicheiro Helio Ribeiro de Oliveira, o Helinho, ex-presidente da Acadêmicos do Grande Rio. Helinho chegou a ter a prisão decretada na Operação Dedo de Deus, mas obteve habeas corpus antes de ir para a Cadeia.

A Polícia Civil chegou a solicitar a prisão preventiva dos 30 novos investigados, mas o Ministério Público opinou contra, e requereu novas diligências. Os mandados de busca e apreensão chegaram à Corregedoria em 2 de janeiro, que precisou de quase um mês para planejar os detalhes da operação para evitar vazamentos e destruição de provas. "Tudo foi planejado com cautela para não ofuscar o carnaval, nossa maior festa popular. Nosso objetivo é combater a máfia do jogo do bicho, que há décadas se infiltrou na Liesa e nas escolas de samba. Agora vamos analisar o material apreendido para robustecer nossas provas e voltar a pedir a prisão dos suspeitos", disse o delegado Galeano.

Procurada pelo Estado, a Liesa informou que não ia se manifestar até tomar conhecimento oficial das investigações.

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