Marcos Arcoverde
Marcos Arcoverde

Moreira Franco diz que situação no Rio é constrangedora e inquietante

Segundo o ministro, a ação não tem prazo para acabar; governador do Rio vai propor a criação de fundo para a área de segurança

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2017 | 13h22
Atualizado 24 de setembro de 2017 | 17h17

RIO DE JANEIRO - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, disse neste domingo, 24, que a integração entre os governos federal e estadual para controlar a violência no Rio de Janeiro não tem prazo para acabar, nem deve durar apenas "um governo". Ele classificou o quadro de segurança no Estado de "constrangedor". 

"Terá o prazo necessário para diminuir arrogância e a prepotência do crime organizado. A situação é muito difícil, terrível, constrangedora, inquietante", ele afirmou, ao participar do lançamento, no Rock in Rio, do calendário de eventos "Rio de Janeiro a janeiro". A iniciativa tem como objetivo turbinar o turismo no Estado, principalmente na capital, gerar emprego e renda e dar mais chances aos jovens de comunidades pobres.

Para ampliar a segurança, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), também disse, neste domingo, que mandará nos próximos dias à Assembleia Legislativa do Rio a proposta que cria um fundo para a área de segurança, com recursos dos royalties do petróleo extraído no Estado, num patamar de 5%.

"Dos 10% que vão para o ambiental, vamos tirar 5% e colocar na segurança pública. Vamos melhorar as polícias Militar e Civil. Ano que vem serão R$ 197 milhões, mantendo a produção como está, e a produção do pré-sal vai crescer. Esse fundo de segurança permite ainda que a iniciativa privada invista em segurança e abata em impostos", explicou o governador. 

Ainda sobre o calendário de eventos anunciado, idealizado por empresários do setor de entretenimento, como Ricardo Amaral e Roberto Medina (presidente do Rock in Rio), começa no réveillon de Copacabana e se estende até dezembro de 2018. São cerca de 100 eventos, nas áreas de cultura, esporte, negócios, moda, gastronomia, entre outras, que receberão chancela e recursos federais, num total de R$ 150 milhões em patrocínios. A expectativa é que movimentem investimentos privados da ordem de R$ 1 bilhão.

A meta é elevar o volume de turistas no Rio em 20%, incialmente, o que geraria 170 mil novos empregos e injeção na economia de R$ 6,1 bilhões, segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para monitorar o projeto. A ideia é que este seja apenas o primeiro calendário anual nesses moldes. O controle da violência é um pressuposto para que dê certa e tenha prosseguimento.

Há eventos já bastante tradicionais, como o desfile das escolas de samba no carnaval, a Corrida de São Sebastião, o Festival Internacional de Cinema do Rio e o festival de animação Anima Mundi, e outros inéditos, como a Corrida de Drones, a NFL Experience e o Rio Piro Festival (de fogos de artifício). Novos proponentes podem se inscrever entre 16 de novembro e 15 de dezembro no site do Ministério da Cultura. Para serem selecionados, os eventos devem cumprir critérios como capacidade de atrair turistas, de gerar de emprego, de promover inclusão, de ter continuidade no longo prazo e de atrair novos investimentos. A FGV irá mensurar se foram atingidos ao fim do ano que vem.

O slogan do calendário - "Meu nome é Rio de Janeiro, meu sobrenome é Brasil" - reforça a ideia de que a imagem do Rio interna e externamente é crucial para o turismo em todo o País. "Pode parecer frase de propaganda, mas é uma manifestação da realidade. É histórico e cultural. O Rio é a comunidade mais plural do País, importante para todo cidadão brasileiro, é um local amado e ambicionado por todos. Temos a capacidade de superar as dificuldades, não temos medo de conviver com o desagradável", disse Moreira Franco, que foi governador do Rio de 1987 a 1991. 

Ele afirmou que para dinamizar o turismo no Rio é preciso uma união de esforços como se deu no período da Olimpíada, realizada em agosto de 2016 na cidade. "O governo federal está mobilizando toda a máquina com o objetivo de restabelecer o ambiente de segurança e gerar emprego e renda. É necessário que todas as instituições que se articularam na Copa do Mundo e na Olimpíada se unam. Tanto a rede hoteleira quanto as companhias aéreas têm que praticar preços adequados, não exorbitantes. Já tivemos reuniões com os hotéis".

Ao participar, no Rock in Rio, do lançamento do calendário de eventos "Rio de Janeiro a janeiro", que tem como objetivo turbinar o turismo no Estado, principalmente na capital, por meio de um calendário anual de eventos, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), disse que o Rio precisa de segurança no mesmo nível da Olimpíada para dar tranquilidade aos turistas que vêm à cidade.

No lançamento, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Sérgio Etchegoyen, afirmou: "Tem solução para o Rio, e começa aqui. Nosso trabalho muitas vezes é silente e invisível. Não haverá nenhum passo atrás". Para o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, trata-se da primeira vez que o turismo é colocado como prioridade no País. O calendário será lançado nas feiras do setor das quais o Brasil participará este ano.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, também participou do lançamento, e citou o Rock in Rio, que termina neste domingo, como uma prova de que o Rio poderá dar a volta por cima através de sua potência criativa. "Ontem, em meio à crise na segurança, havia 100 mil pessoas se divertindo aqui tranquilamente, consumindo e gerando emprego. Vamos apoiar as vocações econômicas do Rio e colocar o Estado e a cidade no trilho do desenvolvimento econômico. Não podemos sucumbir diante da desesperança", afirmou, referindo-se à guerra de traficantes na favela da Rocinha, que fica na rota para quem vem de carro ao Rock in Rio.

Invasões de residências na Rocinha. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse neste domingo, 24, que desconhece informações sobre invasões de residência de moradores da Rocinha, favela ocupada pela polícia e as Forças Armadas desde que foi invadida por traficantes que disputam o controle da venda de drogas. Nas redes sociais, foram compartilhadas fotos de portas arrombadas e casas reviradas e relatos de agressões gratuitas, verbais e físicas, além de roubo de pertences pessoais, como celulares e pares de tênis. As ações são atribuídas a agentes de segurança. 

Prisões. Policiais militares prenderam, neste domingo, 24, Emanuel Bezerra de Araújo, 19 anos, conhecido como Maicon ou Playboy. Ele foi preso em casa, no alto da favela da Rocinha, após uma denúncia. Bezerra é integrante do grupo de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. O suspeito possui dois mandados de prisão, sendo o mais recente deles de 20 de setembro, já em meio à operação na Rocinha. Araújo também apresenta um ferimento à bala na mão direita, recente. Aos policiais, afirmou ter sido punido por Rogério 157, mas não revelou o motivo.

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