Danielle Villela/Estadão
Danielle Villela/Estadão

Acidente em barca deixa 12 pessoas feridas no centro do Rio

Veículo que realizava travessia entre a capital fluminense e Niterói bateu no cais da Praça XV; vítimas se machucaram sem gravidade

Clarissa Thomé e Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 10h38

Atualizado às 14h15

RIO - Uma barca que realiza a travessia entre o Rio de Janeiro e Niterói, na região metropolitana, bateu no cais da Praça XV, na região central da capital, por causa de um problema mecânico por volta das 9 horas desta quarta-feira, 15. Ao menos 12 pessoas ficaram levemente feridas e foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros.

Passageiros relataram que o condutor não conseguiu reduzir a velocidade da barca ao se aproximar do local da atracação, provocando a colisão.

Segundo a concessionária CCR Barcas, a embarcação Boa Viagem transportava cerca de 900 pessoas. Nove passageiros e três funcionários foram socorridos com escoriações e ferimentos leves.

"Outras pessoas preferiram procurar atendimento por conta própria. Viemos preparados para uma situação de colisão com incêndio e pessoas à deriva no mar, mas felizmente nada disso aconteceu", disse o major Marcos Carlos, do 1º Grupamento Marítimo. Três embarcações e três viaturas com 25 homens do Corpo de Bombeiros participaram do socorro.

Gisela de Oliveira, de 31 anos, foi socorrida com um corte em uma das pernas. "A barca não reduziu a velocidade. As pessoas foram pegas de surpresa. Entramos em pânico", disse.

Já a advogada Júlia Peixoto, de 26 anos, se preparava para descer as escadas da barca quando houve a batida. "Tinha muita gente na barca, estava superlotada. De repente, veio o impacto. Eu rolei as escadas. Três pessoas caíram em cima de mim", contou a advogada, que sofreu uma torção no pé direito.

Segundo Júlia, não houve nenhum aviso do comandante pelo sistema de alto-falante de que haveria um acidente.

"Eu estava totalmente distraída e alguém gritou: 'Segura que vai bater'. Foi o tempo de agarrar na pilastra. Muita gente levantou para ver o que tinha acontecido e foi nisso que muitos se machucaram", disse a assistente administrativa Luciana Manga, de 28 anos, que sentia dores no joelho por causa de uma pancada, mas preferiu procurar atendimento médico por conta própria. 

O casal Wagner Rangel, de 34 anos, e Suzane Rangel, de 26, apreciava a vista no piso superior da barca quando a colisão aconteceu. "Vimos a hora que a barca saiu raspando na mureta. Parecia um filme, foi surreal", afirmou Rangel. Por causa do acidente, os dois acabaram perdendo uma consulta médica. 

Causas. O acidente teria sido causado por uma falha mecânica no motor reverso da embarcação, segundo perícia preliminar da Capitania dos Portos e da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transportes Aquaviários Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp).

"Vamos apurar, queremos no máximo em dois meses dar uma satisfação aos usuários", disse Cesar Mastrangelo, conselheiro presidente da Agetransp. Por conta do acidente, a CCR Barcas pode ser multada entre R$ 400 mil e R$ 450 mil.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, afirmou que a barca Boa Viagem, em operação desde a década de 1960, será retirada imediatamente de circulação e que outras duas embarcações da mesma geração passarão por vistorias adicionais.

"O fato de ser uma barca antiga não justifica o acidente e não tira a responsabilidade da concessionária. A barca tem que estar em perfeito estado de funcionamento e não pode colocar em risco os passageiros. O que houve aqui é inadmissível", disse. Segundo o secretário, três novas barcas entrarão em operação até o final do ano para substituir as embarcações mais antigas. 

Outro caso. Em maio deste ano, a barca Vital Brazil, também da geração mais antiga, foi retirada de circulação após colidir no píer da Estação Cocotá, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio. Embora ninguém tenha ficado ferido no acidente, os cerca de 700 passageiros que estavam a bordo ficaram presos na embarcação por duas horas.

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