Acidente com ônibus deixa ao menos nove mortos em São Gonçalo

Acidente com ônibus deixa ao menos nove mortos em São Gonçalo

Outras oito pessoas ficaram feridas após veículo bater em poste, derrubar um transformador e provocar explosão nesta quarta

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 08h34

Atualizado às 16h20

SÃO GONÇALO - Um acidente com um ônibus na Rua Getúlio Vargas, no bairro Santa Catarina, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, deixou pelo menos nove mortos e oito feridos na manhã desta quarta-feira, 18. De acordo com informações do 7º Batalhão de Polícia Militar (Alcântara), o incidente aconteceu quando o veículo bateu em um poste e derrubou um transformador, que caiu sobre o coletivo e explodiu, provocando um incêndio. Os corpos das vítimas ainda não foram identificados.

Cinco dos feridos foram levados para o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo.  Ainda não há informações sobre seu estado de saúde. O ônibus, da linha 532 da Viação Mauá, fazia o trajeto entre as cidades de Niterói e São Gonçalo, ambas pertencentes à Região Metropolitana do Rio. Equipes do Corpo de Bombeiros foram ao local. 

As vítimas do acidente levadas para o Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, são: Leandro Silva, de 35 anos, José Soares Ferreira, de 52, G.F., de 20, W.S., de 35, e A.M., de 26. O motorista do ônibus, Waldnei Rangel, o cobrador Ângelo Gomes da Silva e uma jovem de 17 anos foram levados para a Casa de Saúde São José dos Lírios. Com eles, o número de feridos chegou a oito.

No local do acidente, o ajudante de pedreiro Carlos Alexandre Ferreira estava no fim da manhã com o tio, o também auxiliar de pedreiro Egivaldo Ferreira, buscando informações sobre a irmã, que estaria no coletivo. Emocionado, ele disse que um celular dela foi encontrado no local. Soube do acidente pela imprensa.

"Ligamos para o trabalho da minha irmã e disseram que ela não chegou", contou Ferreira.

O frentista Joel Guimarães trabalha em um posto de gasolina em frente ao local do acidente e havia acabado de chegar ao trabalho por volta das 5h30. Segundo ele, o ônibus trafegava em alta velocidade e, ao desviar de um veículo que vinha na direção contrária logo depois de uma curva, deslizou por causa do acúmulo de lama resultante de um temporal na noite anterior. Ele tentou instruir as vítimas a pular do coletivo, mas disse que o fogo se espalhou muito rápido. 

"Foi um estrondo, um clarão e os passageiros começaram a gritar pedindo socorro. Saímos correndo e pegamos os extintores para tentar socorrer as vítimas", disse Guimarães, que estava acompanhado de outro frentista, Leandro Dias, na hora do acidente.

"Uma das vitimas tentou sair do ônibus com o corpo em chamas e a gente tentou falar para ele pular, mas ficou preso pela mochila", recordou o frentista. "A última cena que ficou marcada na mente foi essa."

De acordo com Joel, um homem conseguiu escapar do ônibus afirmando que sua mulher e sua filha, que estavam dentro do coletivo, não conseguiram se salvar.  "Ele disse 'Socorre minha mulher e minha filha pelo amor de Deus'." O frentista contou que a proporção do incêndio fez com que ele e o colega tivessem que interromper as tentativas de resgate.  "O fogo estava muito alto e os pneus começaram a explodir. Saímos de lá perto para não botar nossa vida em risco."

Já o bombeiro licenciado Magno Reis, de 47, estava na casa da família, que fica em frente ao local do acidente, relatou ter visto "um clarão" e "ouvido gritos". "O alarme do meu carro disparou e eu saí para ver o que tinha acontecido. Quando a gente chegou, viu um clarão e pessoas gritando. Foi muito rápido", disse Reis, explicando que a grande quantidade de lama encontrada no local facilita derrapagens. "Tinha marca de pneus na lama, como se ele (o ônibus) tivesse tentando frear." 

José Soares Ferreira, de 52 anos, funcionário de uma empresa de bebidas, que estava no veículo, teve um ferimento no braço. Ao deixar o Alberto Torres, disse que o ônibus deslizou em uma poça de lama. Ele disse que o veículo  não trafegava em alta velocidade. "Ele não estava indo muito rápido, não", afirmou.

Leandro Silva, de 35 anos, também deixou o hospital no início da tarde desta quarta-feira. Ele disse que, na hora do acidente, ouviu vários gritos e conseguiu escapar pulando da janela. 

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