Acidente com trens no Rio era inevitável, diz delegado

Para o delegado Fábio Pacífico, a hipótese mais forte para a causa do acidente é falha humana

CLARISSA THOMÉ, Agencia Estado

31 Agosto 2007 | 19h24

O acidente com dois trens no Ramal de Japeri, em nova Iguaçu, Rio de Janeiro, que deixou 8 mortos e mais de cem feridos, era inevitável, acredita o delegado Fábio Pacífico, que investiga o caso. Se não houvesse a colisão entre as duas composições, o trem de passageiros teria descarrilado, já que o desvio estava acionado para a manobra da outra composição. "O trem vinha a 80 quilômetros por hora e não teria trilho para continuar. Certamente haveria o descarrilamento", afirmou Pacífico.   Veja também: "Estava sentado, senti a pancada e voei longe", conta estudante Privatização não resolveu problemas nas linhas Governo encerra resgate às vítimas  Laudo do choque de trens sai em 10 dias Concessionária já foi multada duas vezes Veja local do acidente  Veja outros acidentes no Brasil e no mundo  Galeria de fotos   Ele chegou a essa conclusão ao ouvir hoje um técnico que operava o trem que trafegava vazio e foi atingido no último vagão pelo trem de passageiros, quando completava uma manobra. De acordo com o funcionário, a composição havia passado por manutenção e estava em teste para voltar a operar. "Esse técnico confirmou que a manobra para troca de linha estava autorizada pelo Centro de Controle de Operações e a chave estava invertida (ou seja, o desvio estava acionado)", afirmou Pacífico. Essa chave é acionada pelo Centro de Controle.Para o delegado, a hipótese mais forte para a causa do acidente é falha humana. Ele ainda não sabe se o erro foi do centro de controle ou do maquinista do trem de passageiros, que ficou ferido e corre o risco de ficar tetraplégico. "Essa é a primeira impressão (falha humana) e ainda depende do laudo da perícia. Se houver alguma falha mecânica que pode ter provocado o acidente, vai reduzir a responsabilidade de alguém", afirmou o delegado. Ele espera interrogar na segunda-feira os funcionários do Centro de Controle, mas ainda não tem previsão para ouvir o maquinista.

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