'Afilhado' de Madonna é baleado e preso no Rio; para MP, não há provas

Edeson de Souza, que conheceu a cantora em 2010, foi ferido em Olaria, na zona norte; polícia o acusa de participar de tiroteio

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2015 | 19h29

RIO - Acusado pela Polícia Civil de atirar contra policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Parque Proletário, no complexo de favelas da Penha (zona norte do Rio), e preso desde 1 de junho, o entregador Edeson Manso de Souza, de 23 anos, é considerado inocente pelo Ministério Público, que nesta sexta-feira, 3, pediu o relaxamento da prisão dele. 

Baleado, ele precisou amputar a perna direita na altura do joelho. Em 2010, quando tinha 18 anos e era envolvido com traficantes da Vila Cruzeiro, também na Penha, Souza conheceu a cantora Madonna durante uma visita dela ao Rio e foi convidado por ela a participar de um projeto para afastar adolescentes do tráfico por meio do esporte.

Durante aquela passagem de Madonna pelo Rio, Souza chegou a participar como convidado de honra de um jantar para a cantora. Depois passou a se dedicar ao futebol e chegou a jogar profissionalmente no Bonsucesso, entre 2011 e 2013.

Como a carreira futebolística não deslanchou, Souza passou a fazer ‘bicos’ no Parque Proletário. Nos últimos meses trabalhou como entregador de uma farmácia. Recentemente trocou de emprego e, segundo a família, aproveitou um dia de folga (1 de junho) para ir jogar futebol com amigos - alguns deles policiais militares do Batalhão de Olaria, na zona norte - no Campo do Furão, em Olaria. Integrava um time chamado Cascata Futebol Clube.

Conforme a família, a caminho do campo, no fim da tarde, Souza viu uma viatura da UPP Parque Proletário seguindo a toda velocidade em sua direção. Ele correu e foi baleado no pé e na perna direita. Mesmo assim conseguiu fugir e, por conta própria, procurou atendimento médico.

Ao chegar ao hospital, Souza informou sua versão dos fatos. A PM foi informada e acusou o entregador de ter participado de um tiroteio contra os policiais da UPP. Com base no depoimento dos policiais, a Polícia Civil o indiciou por tentativa de homicídio dos policiais e associação para o tráfico. Souza não foi ouvido pela Polícia Civil.

Ainda em recuperação no hospital, ele permanece algemado à cama e vigiado por dois policiais.

Segundo o Ministério Público, não há nenhum exame pericial anexado ao inquérito. Também não foi apreendida nenhuma arma nem drogas com o entregador. Para o Ministério Público, não há no inquérito nenhuma prova de que o entregador tenha participado do confronto com os policiais ou esteja envolvido com o tráfico. Por isso, a promotora Isabella Pena Lucas pediu o relaxamento da prisão de Souza e que ele seja acusado apenas pelo crime de resistência, que prevê punição de dois meses a dois anos de prisão. Familiares de Souza contestam inclusive essa acusação - segundo eles, não há provas.

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