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Aluno de 14 anos ataca três colegas a facadas em escola do Rio

Segundo a Polícia Civil, em depoimento, a mãe do adolescente agressor informou que o filho tem problemas psicológicos e já estava em tratamento com psicólogo e psiquiatra

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2022 | 12h28
Atualizado 06 de maio de 2022 | 19h31

RIO - Um adolescente de 14 anos, aluno da Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador (zona norte do Rio), atacou com uma faca de cozinha três colegas de sala, dentro da escola, às 9h35 desta sexta-feira, 6. As duas adolescentes e um adolescente atingidos, também de 14 anos, sofreram ferimentos leves, segundo a secretaria municipal de Educação, e foram encaminhados ao Hospital Municipal Evandro Freire, também na Ilha do Governador.

Uma das meninas foi atingida no rosto, no pescoço e no abdômen. O agressor também se feriu nas mãos e foi encaminhado ao mesmo hospital. Quando sair, ele será apreendido por fato análogo ao crime de tentativa de homicídio.

Segundo os primeiros relatos, o aluno atacou uma colega, e outros dois alunos perceberam primeiro e tentaram impedir a agressão. Todos esses se feriram. Um professor também percebeu o ataque e lançou uma cadeira contra o agressor. O aluno estaria gravando sua própria ação com o celular, que foi apreendido. Às 13h, peritos da Polícia Civil estavam na escola, que teve as aulas suspensas.

O caso está sendo investigado pela 37ª DP (Ilha do Governador). Segundo a Polícia Civil, em depoimento, a mãe do adolescente agressor informou que o filho tem problemas psicológicos e já estava em tratamento com psicólogo e psiquiatra. A família mora em uma comunidade da Ilha.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), chegou ao local do crime por volta das 11h30. "Um pouco antes do feriado da Semana Santa, ele (o aluno que agrediu os colegas) já vinha demonstrando um comportamento agressivo. Pelo que a diretora me relatou, isso já havia sido encaminhado para o Caps (centro municipal de atendimento psicosocial), e o psicólogo já teria feito uma primeira análise. Graças a Deus e à coragem de um professor, as crianças estão sem qualquer perigo. Parece que o professor conseguiu intervir com uma cadeira e imobilizar o rapaz. Vamos ter de ter uma atenção especial com essa escola a partir de segunda-feira", disse Paes.

"Não fazemos vistoria em todos os alunos da rede municipal de ensino", afirmou o prefeito, sobre o aluno estar com uma faca. "O que a rede faz sempre é um monitoramento, tanto que esse aluno já estava sob observação. Infelizmente, pelo que soube até agora, parece que não houve tempo suficiente para o problema ser identificado e até, eventualmente, afastado. A informação que tenho é que ele estaria com uma chamada de vídeo e já tinha feito alguma automutilação. Os pais dele estiveram aqui (na escola). Parece que, no momento, era o intervalo de uma aula para outra", completou Paes.

ADOLESCENTE É CONDUZIDO A HOSPITAL PSIQUIÁTRICO 

Na tarde desta sexta-feira, 6, o adolescente saiu do hospital municipal Evandro Freire e foi encaminhado para um hospital psiquiátrico, porque, segundo avaliação médica, ainda está em provável surto psicótico e precisa de atendimento especializado.

Segundo a Polícia Civil, ele deve ser levado ao Instituto Philippe Pinel, em Botafogo (zona sul do Rio), e só será ouvido pela delegacia quando tiver condições de saúde. As três vítimas - duas adolescentes e um jovem, todos de 14 anos - também receberam alta do mesmo hospital, pouco depois das 18h, e foram à 37ª DP (Ilha do Governador), que investiga o caso, para prestar depoimento, que deve se estender pela noite.

O delegado Marcus Henrique Alves, responsável pela investigação, disse que o agressor será apreendido por ato análogo ao crime de tentativa de homicídio duplamente qualificado - por motivo fútil e com emprego de meio que impede a reação da vítima.

Segundo o padrasto da primeira vítima - uma adolescente de 14 anos -, ela estava sentada na carteira da frente do agressor e sentiu o primeiro golpe, pelas costas, sem que tivesse havido qualquer discussão ou desavença entre eles. Em seguida um aluno que sentava logo atrás do agressor tentou imobilizá-lo com uma "gravata" (golpe em que o pescoço é preso com o braço) e também acabou ferido.

Na sequência o agressor atacou outra menina, até que um professor conseguiu interromper a ação, usando uma cadeira. Segundo o delegado, a mãe do agressor já prestou depoimento e contou que o filho estava em tratamento psiquiátrico.

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