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Anestesista preso no Rio foi indiciado por estupro de vulnerável; entenda

Pena varia de 8 a 14 anos de detenção; outros cinco casos envolvendo Giovanni Quintella Bezerra são investigados pela polícia

Redação, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2022 | 09h29
Atualizado 13 de julho de 2022 | 14h14

O médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, de 32 anos, foi preso em flagrante e indiciado por estupro de vulnerável após ser gravado colocando o pênis na boca de uma mulher durante uma cesárea em um hospital público de São João do Meriti, no Rio de Janeiro. A pena varia de 8 a 14 anos de prisão.

Entenda o caso:

- Desconfiadas do comportamento do médico em outras duas cirurgias no domingo, 10, – como o excesso de sedativo aplicado e o posicionamento perto do rosto das pacientes –, enfermeiras do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, posicionaram um celular em um armário na sala da terceira cirurgia do dia para gravar o anestesista.

- Nas imagens, reveladas pela TV Globo, Bezerra aparece colocando o pênis na boca da paciente, que foi sedada por ele, durante uma cesariana. Ele ficou separado da equipe que conduzia a cirurgia pelo lençol usado nesse tipo de procedimento. Durante o abuso, que durou 10 minutos, ele olha para os lados e tenta se movimentar pouco.

- Após ver o conteúdo gravado, a equipe do hospital comunicou a diretoria, que acionou a Polícia Civil. Em outro vídeo, o anestesista demonstra surpresa ao ser informado pela delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de São João de Meriti, estar sendo preso em flagrante por estupro. Ao ouvir que há imagens que mostram o crime, o médico mais uma vez demonstra estar surpreso.

- “Foi estarrecedor ver as ações do investigado no vídeo. Nós aqui que temos uma certa experiência com atrocidades, com condutas muito graves, violentas, estamos há 21 anos trabalhando com crimes, nós ficamos estarrecidos, é inacreditável o que vimos, é gravíssimo. Ainda mais grave porque é um profissional que deveria estar cuidando do paciente, o paciente está nas mãos daquele profissional, totalmente vulnerável, num momento realmente importante da vida, tendo um filho, dentro do Hospital da Mulher, que é um centro de atendimento específico para mulheres”, disse a delegada.

- A polícia recolheu gazes que teriam sido usadas pelo médico e passou também a investigar outros casos suspeitos. "São três casos do dia 10 de julho, mais três que nós ouvimos hoje, de pessoas que nos procuraram – uma até de outro hospital. Contando com o que resultou no flagrante, são seis que nós investigamos", disse a delegada nesta terça-feira.  Uma técnica de radiologia, que teve um bebê em 5 de junho, afirmou na delegacia ter estranhado o fato de Bezerra ter lhe dado anestesia geral: "Eu fiquei totalmente dopada".

- O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) aaprovou nesta terça-feira, 12, a suspensão provisória do médico. “Firmamos um compromisso com a sociedade de celeridade no que fosse possível e essa suspensão provisória é uma resposta. A situação é estarrecedora. Em mais de 40 anos de profissão, não vi nada parecido. E o nosso comprometimento não acaba aqui. Temos outras etapas pela frente e também vamos agir com a celeridade que o caso exige”, disse Clovis Munhoz, presidente do Cremerj, em nota.

- Formado em 2017 no Centro Universitário de Volta Redonda (Unifoa), o médico recebeu em abril deste ano o diploma da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, conforme ele próprio divulgou em uma rede social, cujo acesso passou a ser privado ao longo dessa segunda-feira.

- Giovanni Bezerra gostava de publicar sua rotina médica no Instagram. Em várias fotos, aparece com uniformes usados em salas cirúrgicas. Em uma delas, escreveu: "Em frente, vou ganhando meu espaço na profissão que escolhi fazer a diferença". 

Em outra, disse: "Vocês vão ouvir falar muito de mim".

- O anestesista foi indiciado por estupro de vulnerável porque a vítima estava dopada e, portanto, não tinha discernimento e nem poderia oferecer resistência. 

Veja o que diz o Artigo 217-A do Código Penal:

- Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: 

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. 

§ 1o  Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. 

- O Tribunal de Justiça do Rio manteve a prisão de Giovanni Bezerra, em audiência de custódia nesta terça, e o médico foi encaminhado para o presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó.  / COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA BRASIL

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