Ao completar uma semana, violência no Rio faz 45 mortos

Conflito chegou à Baixada Fluminense, onde três supostos traficantes do Alemão foram mortos nesta madrugada

estadao.com.br,

24 de outubro de 2009 | 11h32

Uma semana após a derrubada de um helicóptero da polícia carioca por traficantes no Morro dos Macacos, na zona norte do Rio, a guerra entre facções rivais e as forças de segurança já somam 45 mortos, em confrontos na capital e na região metropolitana da cidade. Numa tentativa de desarticular a ação dos criminosos, dez traficantes presos no Estado foram transferidos na manhã deste sábado, 24, para o presídio de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

 

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Até então concentrada em favelas da cidade do Rio, a disputa por território e a consequente reação da polícia provocou três mortes na madrugada deste sábado em uma comunidade de Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense. Na sexta-feira, a violência já tinha chegado ao asfalto, aterrorizando os moradores do bairro da Penha, também na zona norte da capital.

 

 

No conflito mais recente, três supostos traficantes foram mortos em confronto com policiais militares do Grupo de Ações Táticas (GAT) e do 39º Batalhão nas proximidades da favela de Farrula, em Belford Roxo.

 

Segundo a PM, os criminosos estavam em três carros que circulavam nas imediações da favela e foram denunciados por moradores da região. Ainda de acordo com os policiais, as viaturas foram recebidas a tiros quando chegaram ao local.

 

Um quarto bandido foi preso e disse que ele e os comparsas eram do Complexo do Alemão, na capital, e se transferiram para a Baixada Fluminense depois que começou a guerra entre facções criminosas, há uma semana.

 

Caso a procedência dos supostos criminosos seja confirmada, o número de mortos desde o início dos confrontos vai a 45.

 

Na ação da madrugada deste sábado foram apreendidos dois revólveres calibre 38, uma escopeta, 137 papelotes de cocaína, um quilo de maconha e material para embalar as drogas. Nem os suspeitos mortos nem o detido portavam documentos, segundo a Polícia Civil.

 

Vila Cruzeiro

 

Na sexta-feira, seis corpos foram encontrados na favela do Fumacê, em Realengo (zona oeste). Quatro estavam em uma lixeira e dois na rua. Até a noite, a polícia não tinha informações sobre o motivo do crime.

 

Na Vila Cruzeiro, 180 policiais do 16º Batalhão de PM foram recebidos a tiros. Três pessoas ficaram feridas por balas perdidas. Expedito José Rodrigues, de 57 anos, foi baleado na perna, e o veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) Brunio de Barros, de 86 anos, ferido de raspão no tórax. Os dois não correm risco de morte, mas o estado de Severino Marcolino dos Santos, de 51, é grave. Ele foi baleado no rosto.

 

À tarde, o tiroteio continuou. Moradora do apartamento 403 de um prédio na Rua São Camilo - cuja janela da sala tem vista para Vila Cruzeiro, localizada a 500 m - a aposentada Maria José da Costa, de 50 anos, se escondia na cozinha quando foi surpreendida com a explosão da TV na sala. "Ouvi e saí correndo. Logo depois, o fogo começou. Foi a segunda bala perdida que entrou aqui. A primeira atingiu o armário. Vou me mudar", disse. A sala ficou destruída.

 

Atendimento suspenso

 

Após a operação, outro tiroteio apavorou os pacientes da UPA da Penha, na sexta-feira."Tivemos a informação de que traficantes do Morro da Chatuba, situado nos fundos do Parque Ary Barroso, levariam um comparsa ferido para UPA. Os PMs foram ao local e encontraram oito homens armados descendo o morro. Eles atiraram e revidamos", disse o tenente do 16º BPM, Márcio Martins.

 

Pacientes reclamaram que foram impedidos de sair. "Eu aguardava atendimento desde às 9 horas. Quando começaram os tiros, os médicos e funcionários correram. Os seguranças não nos deixaram sair, entramos em pânico", disse Jaqueline Xavier de Melo, de 27 anos. Irritado, o marido dela, Hilton Luiz da Silva, de 34, quebrou a porta da UPA e foi detido.

 

Também na sexta-feira, a PM prendeu 13 pessoas na Favela do Jacarezinho e em Manguinhos, dominadas pelo Comando Vermelho. A facção é acusada pela invasão ao Morro dos Macacos, no dia 16. Na ocasião, dez pessoas morreram, entre elas três tripulantes do helicóptero da PM abatido a tiros.

 

Com informações de Luciana Nunes Leal, Pedro Dantas e Ricardo Valota

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