Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
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Jean Wyllys diz que interventores do Rio estão 'perdidos'

General Braga Netto participou de reunião com deputados fluminenses em Brasília para discutir atuação no Estado e caso Marielle

Daiene Cardoso e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 19h54
Atualizado 11 Abril 2018 | 00h12

BRASÍLIA - Coordenador da comissão parlamentar que acompanha as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) disse que deixou a reunião na tarde desta terça-feira, 10, com o comando da intervenção no Rio de Janeiro convencido de que ainda não há um planejamento do governo federal para as ações de segurança no Estado. Para o parlamentar, passado mais de um mês do decreto presidencial de intervenção, ela de fato ainda não aconteceu.

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"Eles estão perdidos. É uma intervenção que está vestindo a roupa andando", resumiu Wyllys.

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Em reunião com parlamentares, o general Walter Souza Braga Netto, interventor da área de segurança, apresentou um balanço das operações que estão sendo realizadas para tentar normalizar a situação no Estado. Wyllys disse que viu "boa vontade" da cúpula militar nas ações e que a expectativa é que à medida que os recursos forem sendo aplicados, os resultados poderão aparecer mais rápido.

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De acordo com Wyllys, Braga Netto e o general Richard Nunes, secretário de Segurança Pública nomeado pelo gabinete de intervenção, admitiram que o aumento da presença de militares na zona sul da capital tinha como objetivo melhorar a percepção de segurança da população e que eles vão pleitear a dispensa de licitação para compra de equipamentos para a polícia local.

O deputado disse que os generais confirmaram que a Taurus fez doação de armas para reequipar os policiais. 

Os militares também pretendem fazer um trabalho de mudança no comportamento dos policiais fluminenses. O objetivo é convencer os agentes a serem mais polidos nas abordagens dos cidadãos. "Ele (general Richard) reconhece que será uma mudança cultural", contou Wyllys.

Atendendo a uma solicitação dos parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, Braga Netto anunciou que pelo menos outras 63 ações estão planejadas e ainda serão realizadas no combate ao crime, a exemplo da já realizada no fim de semana, quando mais de 140 milicianos foram presos na zona Oeste do Rio. "Demos uma pancada forte na logística do tráfico", afirmou o interventor aos deputados.

Marielle

Os deputados quiserem saber também sobre o andamento das investigações do assassinato de Marielle e Anderson. Segundo os deputados, o general informou que as investigações estão progredindo e que o caso está mais avançado do que foi durante a investigação, em 2011, da execução da juíza Patrícia Acioli, desvendada em 54 dias.

Os interventores disseram não terem dúvidas de que a morte de Marielle foi um crime político, mas ainda não têm informações sobre a motivação específica. Eles também teriam dito que não está descartada a hipótese de que a morte do colaborador do vereador Marcello Siciliano (PHS), Carlos Alexandre Pereira, tenha sido "queima de arquivo". 

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