Após 40 dias de intervenção, forças de segurança realizam operação no Rio

Após 40 dias de intervenção, forças de segurança realizam operação no Rio

3.900 homens do Exército e das Polícias Militar e Civil estão no Complexo do Lins, onde pelo menos sete foram presos; também há uma varredura em Bangu

Constança Rezende e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 07h51
Atualizado 28 Março 2018 | 00h10

RIO - Após um fim de semana violento no Rio de Janeiro, as Forças de Segurança fizeram nesta terça-feira, 27, três operações na cidade. Uma delas, no Complexo do Lins, na zona norte da cidade, mobilizou o maior número de agentes já empregados em 40 dias de intervenção federal: 3,4 mil das Forças Armadas, 150 policiais militares e 350 policiais civis.

O balanço da operação no Lins foi considerado modesto. Foram presos 24 suspeitos: 16 por cumprimento de mandado de prisão e 8 em flagrante por tráfico e porte ilegal de arma. Também foram apreendidos cerca de 10 quilos de maconha, além de cocaína e crack, duas pistolas calibre 9 mm, um revolver calibre 32 mm, munições, oito radiocomunicadores, dez carros e 11 motos utilizados pelos traficantes. 

Por causa da ação, a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá ficou interditada por cerca de dez horas. A Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, foi a primeira unidade policial a entrar na comunidade, ainda de madrugada. Houve troca de tiros com traficantes durante cerca de 15 minutos. Por volta das 6 horas, os militares cercaram a comunidade.

Segundo a Polícia Militar, os bloqueios das vias de acesso à comunidade visavam a impedir a fuga de criminosos e a coibir roubo de veículos e de cargas. O Gabinete da Intervenção Federal (GIF) disse que o motivo da escolha da comunidade para a operação é “sigiloso”.

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Os militares também realizaram uma operação de varredura na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, em Bangu, na zona norte, com o objetivo de apreender materiais ilícitos ou cuja posse não é autorizada. A operação contou com a participação de 120 inspetores de Segurança e Administração Penitenciária e 220 militares do Exército. Até a noite desta terça, não tinham sido divulgados os resultados dessas buscas.

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O general de exército Mauro Sinott, chefe do Gabinete da Intervenção Federal no Rio, também promoveu inspeções no Batalhão de Choque, no Batalhão de Ações com Cães (BAC) e no Grupamento Aeromóvel (GAM). As visitas fazem parte do programa de inspeção para um diagnóstico das unidades de segurança e busca de soluções para aumentar a capacidade operativa de cada uma delas.

Áreas nobres. Nesta terça, os militares fizeram pelo segundo dia o patrulhamento em áreas nobres da cidade, na zona sul e no centro. Foi possível ver viaturas na região do Hotel Copacabana Palace, em Copacabana. Na segunda, bandidos tentaram roubar uma joalheria dentro de um shopping em Botafogo, na zona sul. 

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A intervenção chegou nesta terça a 40 dias sem resultados perceptíveis e com registros graves como a chacina que matou cinco pessoas em Maricá, no Grande Rio, e episódios de violência na Rocinha, na zona sul. Desde a semana passada, 11 pessoas morreram na comunidade, por causa de conflitos entre traficantes, a Polícia Militar e o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Entre os mortos, estava um PM – o 28.º a ser assassinado no Estado neste ano. /COLABOROU MARINA DAYRELL

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