REUTERS/Ricardo Moraes
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Após acidentes no Rio, bombeiros vão reavaliar licenças a escolas de samba

O Ministério Público do Estado do Rio promoveu reunião com a Liga das Escolas de Samba e outras entidades para decidir mudanças emergenciais

Fábio Grellet e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

03 Março 2017 | 00h49

RIO - Dois dias antes do desfile das campeãs do carnaval 2017, o Ministério Público do Estado do Rio promoveu nesta quinta-feira, 2, uma reunião com a Liga das Escolas de Samba (Liesa) e outras entidades para decidir mudanças emergenciais que aumentem a segurança e evitem acidentes. Ficou decidido que o Corpo de Bombeiros vai reavaliar todas as licenças que concedeu. A Liesa vai cobrar das escolas um novo laudo dos engenheiros responsáveis pelas Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) relativos aos seis carros alegóricos de cada agremiação que vai desfilar.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) vai reavaliar todas as ARTs, e a Liesa se comprometeu ainda a reexaminar as autorizações para que pessoas entrem na pista de desfiles. Se a documentação não for apresentada, as escolas podem ser impedidas de desfilar - mas todos os envolvidos se apressaram em dizer que os documentos serão entregues.

Participaram da reunião o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, o presidente da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), Marcelo Alves, o presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Carlos Augusto de Azevedo, além de representantes da Lierj (entidade que organiza o desfile da Série A, a segunda divisão das escolas de samba do Rio), dos bombeiros, da Polícia Civil, do Crea-RJ e do Ministério Público.

"Esse encontro inaugura um diálogo para regulamentar melhor o carnaval daqui para a frente. Nesse momento, essas medidas são o possível", afirmou o promotor Marcio Guimarães, coordenador de grandes eventos no âmbito do Ministério Público.

Comparação. O diretor de carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, comparou os acidentes com os carros alegóricos na Sapucaí a desastres de avião: "Tudo pode acontecer. O avião não cai? O avião não foi feito para cair, mas também cai. Então tudo pode acontecer. Acho que agora temos que esperar a perícia fazer o seu trabalho e as escolas procurarem cada vez mais trabalhar com os órgãos públicos para que coisas como essas não aconteçam", disse o representante da Liesa na manhã desta quinta em frente à 6ª DP (Cidade Nova), onde prestou depoimento.

O presidente da escola Paraíso do Tuiuti, Renato Thor, que também prestou depoimento, culpou a chuva e a pintura da pista pelo acidente com o carro alegórico da escola. Ainda estão internadas três vítimas da alegoria que, desgovernada, prensou pessoas que estavam na pista contra uma grade e, ao dar ré, atropelou mais gente.

"A avenida foi pintada recentemente, e a Paraíso foi a primeira escola a desfilar. Com a chuva, acho que o carro perdeu um pouco o controle. A chuva deixou o carro um pouco meio sem direção", disse, na mesma delegacia.

Thor rebateu a alegação feita pelo motorista do carro de que a agremiação não tinha fornecido guias suficientes para direcionar o carro e disse que a "roda maluca" do veículo, encontrada quebrada, foi danificada por causa do acidente.

Vítima. Uma das vítimas do acidente com o carro alegórico da Paraíso do Tuiuti, a fotógrafa Ana Cláudia Fernandes disse que até esta quinta nem a Liesa nem a agremiação entraram em contato com ela para prestar auxílio. Ana Claudia também disse não foi intimada pela Polícia Civil para depor sobre o caso e nem para fazer exame de corpo de delito. A vítima decidiu, por conta própria, registrar o acidente, nesta quinta, na 6ª DP.

"Até agora ninguém da escola me procurou. Não estou pedindo um favor, estou querendo o que é meu direito", disse a fotógrafa. "Vim fazer o registro de ocorrência por conta própria. Estou preocupada porque até agora não fiz exame de corpo de delito. É como se eu não tivesse sido acidentada", afirmou.

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