Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Após chuvas, maior reservatório do Rio sai do volume morto

Paraibuna, que desde 21 de janeiro estava usando água do volume morto, passou de -0,19% de sua capacidade para 0,08% 

Fábio Grellet e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2015 | 17h12

Atualizada às 18h31

RIO - A chuva do fim de semana fez com que um dos quatro reservatórios da bacia do rio Paraíba do Sul que abastecem o Estado do Rio saísse do volume morto. O reservatório Paraibuna, que desde 21 de janeiro recorria ao volume morto, passou de -0,19% de sua capacidade, registrado na quinta-feira passada, para 0,08% no domingo. Nesta segunda, em reunião com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no Rio, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) pediu R$ 365 milhões à União para realizar, até 2018, obras que garantam a segurança hídrica do Estado nas próximas décadas.

Além das medidas de longo prazo, foi apresentada à ministra e à Agência Nacional de Águas (ANA) nova medida emergencial para a crise hídrica: a construção de barreira perto da foz do rio Guandu que evite o ingresso de água salgada e facilite a captação feita pelas grandes empresas da região - Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), Gerdau, Furnas e Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC). O rio abastece cerca de 9 milhões de moradores da região metropolitana. A ideia é que as indústrias se tornem menos dependentes dele. 


As empresas comprometem cerca de 15% da vazão do Guandu. Além da captação que necessitam para funcionar (mil litros por segundo), são responsáveis por um gasto elevado, pois a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) precisa levar ao canal de São Francisco uma massa de

água capaz de empurrar de volta a corrente salgada da baía de Sepetiba.

O canal abastece as indústrias, que não podem operar com a água salgada que o invade a partir da baía. Essa seria uma intervenção de urgência, assim como a construção de uma adutora de 14 quilômetros de extensão. Nos dois casos, os custos ficariam com as empresas.

A ministra disse que, diferentemente de São Paulo e Espírito Santo, as conversas com o Rio têm caráter “preventivo” e consideram a possibilidade de estiagem até 2016. “Tem água, mas não para sempre.” Segundo ela, a liberação dos R$ 365 milhões será discutida com o Ministério do Planejamento. As obras incluem a ampliação de uma barragem no rio Guapiaçu (região serrana) e uma intervenção no Norte Fluminense para armazenar água da chuva.

O secretário do Ambiente, André Corrêa, criticou o que considera “terrorismo” com a escassez hídrica. “O governo tem clareza da gravidade da situação. É a pior crise em 84 anos de registro. Está encarando como uma oportunidade de se ter segurança hídrica para o futuro. Não podemos gerar pânico e terrorismo, as pessoas não precisam fazer reserva em casa.”

Rechaçada a princípio por Pezão, a recomendação da ANA de reduzir a vazão do Paraíba do Sul de 140 mil litros por segundo para 110 já é tratada como uma realidade próxima. “A gente vai perseguir (a marca) dos 110 e escalonar o prazo. Não dá para ser de uma hora para outra”, ressalvou Corrêa.

Apesar das chuvas recentes, o reservatório de Santa Branca, no volume morto desde 26 de janeiro, continua negativo: estava em -3,84% na quinta e passou a -3,87% no domingo. O volume total do sistema passou de 1,21% para 2,17%, de quinta a domingo. Os outros dois reservatórios da bacia são o Jaguari, com 3,19% da capacidade, e o Funil, com 13,05%.



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