Carol de Souza/AFP
Carol de Souza/AFP

Após controvérsia com Prefeitura do Rio, Parada do Orgulho LGBTI toma orla de Copacabana

Evento vem sendo tratado por ativistas como 'Parada da resistência'; gestão Crivella nega falta de apoio

Vinicius Neder e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2017 | 17h42
Atualizado 19 Novembro 2017 | 18h25

RIO – Nem a chuva, nem o corte de verba pela prefeitura afetaram a realização da 22ª Parada do Orgulho LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Inter-sexuais), que aconteceu neste domingo, na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

O Arco-Íris, organizador do evento, acredita que a resistência de grupo conservadores até contribuiu para que o público fosse maior neste ano – 800 mil pessoas, 200 mil a mais do que em 2016, como informou por meio de sua assessoria de imprensa.

Dessa vez, além de se apresentar como um ato de resistência ao preconceito, a Parada Gay se posicionou também contra o fundamentalismo religioso. O Arco-Íris acusa o prefeito carioca, Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, de negar verba e tentar boicotar o evento.

"Vários setores da cultura estão sofrendo com o atual governo fundamentalista religioso na prefeitura do Rio de Janeiro", afirma na página do Facebook em que convoca à Parada. 

O orçamento total da festa é de R$ 600 mil, dos quais R$ 12,8 mil foram levantados por financiamento coletivo nas redes sociais. O restante veio da Uber e da Ambev, segundo o Arco-Íris. Além disso, artistas como Daniela Mercury, Pabllo Vittar e Preta Gil abriram mão dos seus cachês. 

A Prefeitura do Rio negou a falta de apoio. Segundo o município, foram investidos "quase" R$ 500 mil, com a mudança no trânsito da região e a prestação de serviços da Guarda Municipal, da CET-Rio, da companhia de limpeza Comlurb, enre outros órgãos. 

lém disso, conforme nota enviada pela Prefeitura, o projeto Mês da Diversidade, elaborado pela Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual em parceria com a produtora Four X, foi aprovado pelo Ministério da Cultura para captar recursos com incentivo fiscal via Lei Rouanet, como anunciado em outubro. A aprovação autoriza captação de até R$ 1,372 milhão. 

"Esse valor será investido nas passeatas de Copacabana e Madureira que acontecem ainda este ano, por meio da Four X, captadora responsável", diz a nota da administração municipal.

Quando a Prefeitura anunciou a aprovação do projeto pelo Ministério da Cultura, o Arco-Íris divulgou nota negando que os patrocínios captados com empresas como Uber e Ambev tenham sido intermediados pela gestão municipal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.