Após exoneração de comandante, PM faz 'operação padrão'

Segundo coronel, pelo menos 40 oficiais teriam protocolado afastamento; Beltrame diz que não volta atrás

O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2008 | 15h00

Policiais militares do Rio iniciaram, na manhã desta quarta-feira, 30, uma "operação padrão" em pelo menos quatro batalhões : 13º (Praça Tiradentes), 17º (Ilha do Governador), 18º (Jacarepaguá) e 39º (Belford Roxo). Na prática, a maioria do efetivo ficou aquartelada.    O protesto teria motivado a antecipação da posse do novo comandante-geral da PM, Gilson Pitta, inicialmente prevista para a quinta-feira, 31. Pelo menos quarenta coronéis e tenentes-coronéis que assinaram um manifesto contra a troca de comando na PM e a punição dos oficiais que participaram de uma passeata por reajuste salarial na praia do Leblon no último domingo protocolaram pedido de exoneração dos cargos de chefia e comandos de batalhões que ocupavam.   Um dos líderes do "Grupo dos Barbonos" - oficiais que protestam por melhores salários e condições de trabalho -, o coronel Dário Cony ironizou declaração recente do secretário da Segurança, José Mariano Beltrame, que defendera uma "faxina" na PM. "Quem faz faxina nas unidades são funcionários contratados ou policiais que estão licenciados, com incapacidade física. Essa é a faxina que entendemos."   Mais cedo, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), disse que tem toda a confiança no secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Segundo ele, a "balbúrdia" na PM está sendo criada "por meia dúzia que quer atrapalhar uma corporação que tem um dever a cumprir". Ele disse ainda que "esse movimento é absolutamente isolado, se eles pensam que vão tirar o prestígio do Beltrame, estão redondamente enganados, o prestígio do Beltrame só se fortalece".   Parafraseando o presidente Lula, Cabral, que está em Niterói (RJ), onde participa do lançamento do PAC no morro do Preventório, disse que "nunca antes na história desse Rio de Janeiro a área de segurança teve tanto apoio de um governador".   Ele disse inclusive que não participou da escolha do novo comandante da Polícia Militar, Gilson Pitta Lopes. "O governador não participa de nomeação, o secretário tem toda a autonomia", afirmou Cabral, que conheceu Pitta na terça-feira, 29, um pouco antes da nomeação para o cargo. Sobre a ameaça de policiais militares de uma operação padrão nos próximos dias, em protesto contra a exoneração do ex-comandante Ubiratan Ângelo, Cabral afirmou que "o carnaval está garantido, a PM estará nas ruas trabalhando".   Beltrame reage às ameaças   Beltrame reagiu à atitude de oficiais da PM: "com relação à troca de comando, não volto atrás. Se as pessoas entregarem os cargos, vão ser substituídas", declarou Beltrame. "Acho isso um exagero. Não podemos admitir (essa atitude) de pessoas que têm um regulamento e pertencem a uma instituição baseada na hierarquia e na disciplina", disse.   O secretário afirmou que os policiais precisam "rever seus atos". "Eu não me preocupo em incomodar as pessoas, eu me preocupo com resultados", disse. Beltrame reconheceu que a reivindicação salarial dos policiais é justa, mas disse que isso deve ser feito com respeito.   Ele voltou a classificar de "exagerada, descabida, e desrespeitosa" a manifestação organizada no fim de semana pelo grupo de policiais. Na terça-feira à noite, em reunião para discutir a crise, oficiais da Polícia Militar (PM) decidiram exigir do governador do Rio, Sérgio Cabral, que ele volte atrás na decisão de exonerar o comandante-geral da PM, Ubiratan Ângelo, e tire Beltrame da secretaria. Caso contrário, os coronéis e comandantes de batalhões e unidades operacionais presentes ameaçaram entregar seus cargos.

Tudo o que sabemos sobre:
PMRio de JaneiroBeltrameCabral

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.