Após explosão, costureira pediu socorro pelo celular

Após explosão, costureira pediu socorro pelo celular

Marlene Sangy, de 46 anos, acordou com o forte estrondo e viu desabar o teto da quitinete onde mora com os seus filhos

Juliana Dal Piva, O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 09h31

Atualizada às 10h52

RIO - A costureira Marlene Sangy, de 46 anos, acordou com o forte estrondo após a explosão em um imóvel em São Cristóvão, na madrugada desta segunda-feira, 19, e logo o teto da quitinete onde mora com os dois filhos veio abaixo.

"O teto estava desabando em cima da gente. Meu filho pegou minha filha rápido, gritando, tudo caindo em cima dela. E, quando chegamos ao corredor, não havia mais nada. Tinha caído tudo."

Segundo Marlene, o restaurante não tinha ligação de gás encanado e era abastecido por botijões. A quitinete em que morava ficava atrás de uma farmácia, à esquerda da pizzaria. Na casa dela, também não havia gás encanado. Como permaneceu com o telefone celular, Marlene conseguiu pedir socorro. "Tiraram a gente por cima do muro."

O soldador Márcio da Silva Rodrigues, morador de uma das quitinetes atingidas pela explosão, contou ter retirado do local uma família de vizinhos, presa sob uma parede desabada. "Na frente de onde a gente mora tinha um casal e dois filhos. Uma mocinha pediu socorro dizendo que o pai estava embaixo dos escombros. Tinha uma parede em cima do casal e da criança, porque eles estavam na cama. Conseguimos tirá-los", lembra o cearense, que vive há cinco anos no Rio.

Rodrigues lembra que acordou com o barulho e viu as pessoas correndo, tentando descobrir o que havia acontecido. "Quando a gente saiu, estava tudo desabando, muita gente pedindo socorro." O soldador deixou seus dados com uma equipe da prefeitura, como os demais moradores da vila de quitinetes, que ficava acima de um dos restaurantes atingidos. Ele ainda não sabe onde vai passar os próximos dias nem se conseguirá entrar em casa para pegar seus pertences e documentos. 

Já o estudante Leonardo Sangy, de 21 anos, que mora com a mãe e a irmã em uma das 13 quitinetes da vila, relatou que um grupo de moradores ficou dez minutos ilhado dentro da vila, esperando o resgate de bombeiros com uma escada especial. "Quando acordei só vi as coisas caindo, os telhados em cima da gente. A gente até chegou a escutar pessoas gritando por socorro, mas não tínhamos como fazer nada", afirma o estudante, que vai ficar provisoriamente na casa de um primo.

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