José Lucena/Futura Press
José Lucena/Futura Press

Sobe para 15 número de mortos em deslizamento em Niterói (RJ); Prefeitura promete aluguel social

Prefeito decretou luto oficial de três dias e voltou a afirmar que Morro da Boa Esperança não apresentava risco elevado

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 15h36

RIO – Subiu para 15 o número de mortos em um deslizamento de terra e pedras na madrugada de sábado, 10, em Niterói, região metropolitana do Rio. Outras 10 pessoas ficaram feridas. Inicialmente, 11 pessoas foram resgatadas com vida, mas o menino Arthur Caetano Carvalho, que estava internado em estado gravíssimo, faleceu às 12h59 deste domingo, informou a Secretaria de Estado de Saúde. Equipes do Corpo de Bombeiros seguem trabalhando no local, mas não há registro de que ainda haja desaparecidos, informou a assessoria de imprensa da corporação.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que o menino Arthur apresentou “piora de seu quadro clínico e consequente parada cardíaca, com múltipla falência dos órgãos”. Atingido pelo desabamento de sua casa, Arthur, de 3 anos, “esteve gravíssimo nas últimas horas”. “Todos os procedimentos para reverter o quadro foram adotados, porém não houve resposta clinica do paciente”, diz a nota da secretaria. Nicole, irmã de Arthur, de apenas 10 meses, foi resgatada já morta.

Mais cedo neste domingo, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), prometeu que as 22 famílias atingidas pelo deslizamento receberão aluguel social e terão prioridade na entrega de casas populares a serem inauguradas em 20 de dezembro pela prefeitura local.

O prefeito decretou luto oficial de três dias e prometeu atualizar as informações sobre risco de deslizamento nas favelas da cidade, mas voltou a afirmar que o Morro da Boa Esperança, onde houve o deslizamento, não apresentava risco elevado. Ainda no sábado, relatos de moradores apontaram que a Defesa Civil municipal já havia interditado casas na favela, que fica na chamada região oceânica de Niterói, mais afastada do Centro da cidade.

Segundo Neves, técnicos da prefeitura apontaram o deslizamento da madrugada de sábado como “uma situação realmente muito imprevisível”. As condições geológicas do local não demandavam obras de contenção de encosta.

“Tínhamos um maciço, num lugar bem no alto da comunidade. Uma grande montanha de rocha coberta por vegetação, por mata. O que houve foi o deslocamento de um enorme maciço, de algumas milhares de toneladas nessas oito casas”, afirmou o prefeito, em entrevista coletiva no domingo.

Neves também justificou o fato de não haver, no Morro da Boa Esperança, sistema de alerta de deslizamento por meio de sirenes. O sistema foi instalado em cerca de 30 favelas de Niterói após a tragédia no Morro do Bumba, em abril de 2010, quando um deslizamento provocado por fortes chuvas deixou 48 mortos. Conforme o prefeito, que assumiu o primeiro mandato em janeiro de 2013, as sirenes foram instaladas pelo governo do Estado, em 2013 e 2014, com base num levantamento de risco, feito em 2012.

“Nenhum órgão das três esferas de governo havia identificado essa comunidade tecnicamente como área de alto risco. Por isso, não tinha nem obra de contenção de encostas para ser feita nessa região. Conversamos com o DRM (Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio) e vamos fazer um convênio para atualizar as informações em relação a todas as comunidades de Niterói”, afirmou Neves.

Apesar das informações da prefeitura, moradores relataram deslizamentos no Morro da Boa Esperança em 2010 e 2016. Rsandra da Silva, que perdeu um neto e a ex-sogra na tragédia, contou ao portal “G1” que deixou a favela porque teve a moradia interditada após o deslizamento de 2010. Ainda assim, ela não conseguiu nem receber o aluguel social nem ser cadastrada em filas de espera para receber uma unidade de moradia social.

“Eles não davam prioridade por não ter tido vítimas, foi o que a moça me alegou. Estavam dando prioridade, na época do Bumba, aos que tinham perdido famílias e perderam tudo. Nós perdemos a metade da casa, mas estávamos em situação difícil. Corríamos risco”, disse Rsandra ao “G1”.

Ex-cunhada de Rsandra, Amanda Rezende, de 20 anos, que estava numa casa atingida pelo deslizamento, sobreviveu, mas perdeu o sobrinho e a avó, disse que nenhuma autoridade ofereceu soluções para o problema. “Eles não falavam nada, so que o pessoal que morava ali tinha que sair. E aquela pedra nunca ia acontecer o que aconteceu ontem, que no máximo só ia ter deslizamento de barro”, afirmou Amanda ao “G1”.

Entre os mortos há cinco mulheres, dois homens, duas crianças e um bebê de dez meses de idade. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, pelo menos dois feridos seguem internados.

Moradores relataram que o acidente ocorreu por volta das 4 horas da manhã. Pelo menos nove casas foram atingidas pelo deslizamento, mas, no total, 17 moradias foram interditadas pelo risco de desabamento. Daí porque 22 famílias estão desabrigadas, como informou o prefeito Neves.

Segundo o prefeito, essas famílias entrarão na lista dos beneficiados pela entrega de “200 unidades habitacionais de interesse social que estamos construindo nos últimos 18 meses em parceria com a Caixa Econômica no bairro do Fonseca”. Essa entrega está prevista para 20 de dezembro. Até lá, a promessa é que as famílias recebam aluguel social da prefeitura.

 

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