Marcos de Paula/Prefeitura do Rio
Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

Após nove meses fechada por decisão judicial, Avenida Niemeyer é reaberta no Rio

Prefeito Marcelo Crivella diz que avenida, que havia sido interditada em maio do ano passado após vários deslizamentos de terra ocorreram no seu entorno, 'é um dos lugares mais seguros do Rio'

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2020 | 13h20

RIO - Interditada desde maio do ano passado por ordem judicial, a Avenida Niemeyer, que liga o Leblon a São Conrado, na zona sul do Rio, foi reaberta na manhã deste sábado, 7, nos dois sentidos após autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A reabertura foi acompanhada pelo prefeito Marcelo Crivella, que na sexta comemorou em vídeo a decisão vinda de Brasília.

"Foi importante para o Rio de Janeiro. Já terminamos a obra, essa via está há um ano fechada, passam por dia aqui cerca de 40 mil pessoas que estavam entupindo o túnel. Tenho certeza que o carioca vai ficar feliz. É importante dizer que gastamos mais de R$ 30 milhões nessas obras. Hoje, a Niemeyer é um dos lugares mais seguros do Rio de Janeiro. É claro que pode ter um problema eventual, mas não naquele volume que tivemos um ano atrás", disse o prefeito.

A via foi fechada a pedido do Ministério Público após deslizamentos de terra na encosta do morro Dois Irmãos no primeiro semestre do ano. Em fevereiro de 2019, duas pessoas morreram quando um deslizamento atingiu um ônibus. Já em maio, novo deslizamento fechou a avenida e atingiu uma casa, mas ninguém se feriu. Na última semana uma pedra rolou na encosta da Niemeyer. 

Para Crivella, a decisão do STJ cria uma jurisprudência importante para a cidade, porque o tribunal afirma que houve interferência indevida em uma matéria de competência da prefeitura. "É importante dizer isso, porque ninguém entende mais de Niemeyer que os técnicos da Geo-Rio, que estão aqui todos os dias e não só aqui, como em todas as encostas da cidade. Em dia de sol com céu azul não vai cair”, disse Crivella.

"O Tribunal de Justiça lamenta as declarações do Sr. Prefeito do Município do Rio de Janeiro, uma vez que, no momento do deferimento da liminar, a situação de fato exigia a garantia da integridade física e do direito à vida da população carioca, ante omissão de setor da administração pública municipal, reafirmando o direito fundamental de acesso à Justiça", rebateu o  presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares. O Ministério Público do Rio ainda pode recorrer da decisão do STJ. 

Segundo a prefeitura do Rio, foram investidos mais de R$ 34 milhões em 56 intervenções ao longo da Avenida Niemeyer. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (SMIH) afirma que as intervenções garantem a segurança da via para veículos, pedestres e moradores. Apesar disso, a Niemeyer será fechada em caso de chuvas de 38 milímetros em uma hora, com ventos de até 70 quilômetros por hora. Pelos cálculos da administração municipal, antes de seu fechamento circulavam pela avenida 36 mil veículos por dia.

O fechamento da Avenida Niemeyer detonou uma batalha judicial entre o MP e a prefeitura. O episódio mais polêmico aconteceu em outubro, quando Crivella ironizou a juíza Mirela Erbisti, da 3.ª Vara da Fazenda Pública, que determinou o fechamento da Niemeyer, afirmando que ela “tem uma beleza de parar o trânsito”.  

“A juíza tem seus 40 anos e é muito bonita, tem uma beleza de parar o trânsito, mas não precisa praticar, né pessoal?”, afirmou. O prefeito ainda comentou. “A juíza que fechou a Niemeyer é uma juíza que se chama Mirela, ela tem um site na internet que se chama ‘Togadas e tatuadas’, ela ensina as mulheres a se vestir, como conseguir um namorado, é uma coisa interessante”, continuou. As declarações machistas geraram reações indignadas de entidades de magistrados.

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