Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Após reintegração de edifício, 35 sem-teto acampam na Cinelândia

Nenhuma das 300 pessoas retiradas do edifício Hilton Santos, do empresário Eike Batista, aceitou as vagas oferecidas pela prefeitura em abrigo em Santa Cruz, na zona oeste

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 19h04

RIO - Após a remoção do Edifício Hilton Santos, no Flamengo, zona sul, ao menos 35 pessoas acamparam nesta quarta-feira, 15, na Cinelândia, no centro, com colchões, pedaços de papelão e cobertores. Representantes do grupo que ocupou o imóvel arrendado pelo empresário Eike Batista se reuniram com membros do governo estadual, prefeitura, Câmara Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Defensoria Pública.

O vereador Jefferson Moura (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara, disse que a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos encaminhará os sem-teto provisoriamente para abrigos ou para a tenda coletiva que deverá ser armada no Terreirão do Samba, em Cidade Nova, no centro, até esta sexta-feira, 17. A secretaria não confirmou a informação.


Nenhuma das 300 pessoas retiradas do edifício Hilton Santos nesta terça-feira, 14, aceitou as vagas oferecidas pela prefeitura em abrigo em Santa Cruz, na zona oeste. “Os abrigos são horríveis, tem muita barata e muita gente que usa droga. Temos que continuar fazendo ocupação, senão ninguém vai prestar atenção na gente", disse a sem-teto Paty Araújo.

Para a vendedora ambulante Cris Costa, muitos pediram abrigo temporário a parentes e amigos.  Acompanhada do filho e da neta, ela deixou a casa onde morava em Manguinhos, na zona norte, depois que o valor do aluguel passou de R$ 450 para R$ 650. “Ficou difícil, ganho só R$ 230 do Bolsa Família e faço uns bicos para complementar."

O valor repassado pelo Bolsa Família também é insuficiente para Andreia Pereira da Silva e os quatro filhos. “Depois que pago o aluguel não sobra nada." Ela foi um dos 112 feridas em acidente de trem em Mesquita, Baixada Fluminense, em janeiro deste ano. Desde então, toma remédios controlados e deixou de trabalhar como faxineira. “Sinto dores de cabeça horríveis.”

De manhã, o Movimento Nacional de Luta pela Moradia organizou passeata de cerca de cem pessoas do Largo da Carioca (centro) ao Ministério da Fazenda.

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