Após resgate em hospital, 11 líderes do CV serão transferidos para prisões federais

Secretário estadual solicitou ao governador em exercício que equipe adequadamente o Hospital Penitenciário

Fábio Grellet e Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2016 | 18h10

RIO - Após o resgate do líder criminoso Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, de 28 anos, do Hospital Estadual Souza Aguiar, no centro do Rio, na madrugada de domingo, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou nesta segunda-feira, 20, que 11 líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) que estão em presídios estaduais serão transferidos para penitenciárias federais, fora do Estado do Rio. 

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) autorizou a transferência a partir da noite desta segunda e ao longo desta terça, disse o secretário. Entre os transferidos estará o traficante Edson Pereira Firmino de Jesus, o Zaca, tio de Fat Family. Um irmão dele, Marco Antônio da Silva, o My Thor, líder do CV, está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR).

A Polícia Militar ainda invadiu nesta segunda 37 favelas para tentar prender Fat Family. Seu resgate por criminosos deixou um morto e dois feridos. O bandido não foi encontrado. Dez pessoas foram detidas, mas nenhuma envolvida no caso. 

A megaoperação mobilizou 22 batalhões da PM. Um dos alvos foi a Favela Santo Amaro, no Catete (zona sul), onde Fat Family é chefe dos traficantes. Preso no morro há uma semana, ele foi ferido no rosto em tiroteio com policiais. Ninguém foi preso na favela na ação desta segunda. Em outros locais, foram apreendidas drogas, armas e munição.

Custódia. No fim de semana havia dez presos sob custódia da PM em hospitais, segundo Beltrame. Em dois casos havia risco de resgate, disse ele. Além de Fat Family, um suposto líder do CV em São João de Meriti (Baixada Fluminense), preso na sexta-feira e internado no Hospital Salgado Filho, no Méier (zona norte). De acordo com “análise da inteligência (da polícia)”, o risco de resgate do segundo era maior, mas, ainda assim, acrescentou Beltrame, havia cinco PMs na custódia de Fat Family, que acabou resgatado.

O secretário afirmou que uma solução é que o hospital penitenciário existente no complexo penitenciário de Bangu (zona oeste) seja equipado adequadamente. A unidade não tem estrutura para cirurgia. Beltrame pediu ao governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), a reestruturação do local ou a montagem de um hospital de campanha dentro do complexo. “É a única forma de resolver definitivamente esse problema (...) para que a gente não fique fazendo verdadeiro turismo com feridos pela cidade.”

Questionado sobre as visitas recebidas no Souza Aguiar pelo resgatado, Beltrame afirmou que ainda não sabe o que aconteceu nem está informado se um preso internado pode receber visita.

Imagens. O delegado Fábio Cardoso afirmou que imagens de câmeras mostram que ao menos 15 criminosos entraram no hospital e seis chegaram à enfermaria de Fat Family, no sexto andar. Outros bandidos participaram da ação, monitorando o movimento ao redor e no pátio do hospital. A PM estima que 25 criminosos atuaram no resgate. Dez testemunhas já foram ouvidas pela polícia, entre eles funcionários do hospital e policiais que vigiavam o criminoso.

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