Após saída de Ubiratan, Cabral promete fim da 'balbúrdia' na PM

Governador do Rio diz que confia em secretário e que segurança nunca teve tanto apoio de um governador

Felipe Werneck e Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2008 | 12h14

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), disse nesta quarta-feira, 30, que tem toda a confiança no secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Segundo ele, a "balbúrdia" na PM está sendo criada "por meia dúzia que quer atrapalhar uma corporação que tem um dever a cumprir". Ele disse ainda que "esse movimento é absolutamente isolado, se eles pensam que vão tirar o prestígio do Beltrame, estão redondamente enganados, o prestígio do Beltrame só se fortalece".   Parafraseando o presidente Lula, Cabral, que está em Niterói (RJ), onde participa do lançamento do PAC no morro do Preventório, disse que "nunca antes na história desse Rio de Janeiro a área de segurança teve tanto apoio de um governador".   Ele disse inclusive que não participou da escolha do novo comandante da Polícia Militar, Gilson Pitta Lopes. "O governador não participa de nomeação, o secretário tem toda a autonomia", afirmou Cabral, que conheceu Pitta na terça-feira, 29, um pouco antes da nomeação para o cargo.   Sobre a ameaça de policiais militares de uma operação padrão nos próximos dias, em protesto contra a exoneração do ex-comandante Ubiratan Ângelo, Cabral afirmou que "o carnaval está garantido, a PM estará nas ruas trabalhando".   Beltrame reage às ameaças   O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, reagiu nesta quarta-feira à atitude de oficiais da Polícia Militar que ameaçaram entregar cargos após a troca de comando da Corporação. "Com relação à troca de comando, não volto atrás. Se as pessoas entregarem os cargos, vão ser substituídas", declarou Beltrame. "Acho isso um exagero. Não podemos admitir (essa atitude) de pessoas que têm um regulamento e pertencem a uma instituição baseada na hierarquia e na disciplina", disse.   O secretário afirmou que os policiais precisam "rever seus atos". "Eu não me preocupo em incomodar as pessoas, eu me preocupo com resultados", disse. Beltrame reconheceu que a reivindicação salarial dos policiais é justa, mas disse que isso deve ser feito com respeito.   Ele voltou a classificar de "exagerada, descabida, e desrespeitosa" a manifestação organizada no fim de semana pelo grupo de policiais. Na terça-feira à noite, em reunião para discutir a crise, oficiais da Polícia Militar (PM) decidiram exigir do governador do Rio, Sérgio Cabral, que ele volte atrás na decisão de exonerar o comandante-geral da PM, Ubiratan Ângelo, e tire Beltrame da secretaria. Caso contrário, os coronéis e comandantes de batalhões e unidades operacionais presentes ameaçaram entregar seus cargos.

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