Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Após ser criticado, secretário de segurança do Rio alfineta Maia

Roberto Sá ressaltou que conhece 'cada beco de cada favela' no Rio

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2017 | 11h17

RIO - O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, criticou indiretamente na manhã desta sexta-feira, 1º, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pedira a sua demissão após a crise de segurança na Rocinha. Do púlpito a menos de um metro do deputado, que estava na plateia, Sá apresentou seu currículo, citou resultados do seu trabalho e disse que "é muito fácil ouvir comentários de futebol quando um jogo acaba". 

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"Assumo a pasta com 35 anos de serviço, fui delegado de polícia, tenente-coronel da reserva. Tive oportunidade de trabalhar, nesse tempo, na área operacional e academia. Isso me deu possiblidade de falar olhos nos olhos, de cabeça erguida, peitos estufados, que conheço cada beco de favela, e é muito fácil ouvir comentários e falar do jogo de futebol quando ele acaba. Mas trabalhar nesse cenário, quando se assume com decreto de calamidade financeira, talvez não tenha sido uma boa escolha, mas ia me sentir a pessoa mais covarde da face da Terra se não aceitasse", disse, em evento na Câmara de Comércio Americana.

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Sá citou as operações contra roubo de cargas e criticou a falta de orçamento da pasta. "Sou gestor de uma massa falida, mas nós vamos nos recuperar", afirmou. Antes de começar o desabafo, Sá elogiou Maia por seu empenho para aprovação do plano de recuperação fiscal do Rio. 

Ao criticar o secretário, em setembro, Maia disse que "a crise da Rocinha está provando que (Roberto Sá) não tem mais condição de continuar no cargo". "Assim como o ex-secretário José Mariano Beltrame, seu antigo chefe, ele gosta de transferir para terceiros a responsabilidade pelas crises”, disse o presidente da Câmara. 

Após declarações de Sá reivindicando mudanças na legislação, Maia também havia dito que "o secretário de Segurança do Rio não pode ser tão irresponsável", em sua rede social. "Nós vamos aprovar leis mais duras contra o crime sim, mas a convulsão social que vivemos no Rio não é culpa da legislação. Cadê o policiamento? A sociedade está abandonada, e a Polícia também. Os bandidos perderam o respeito pelas autoridades. O Rio precisa de gente séria, que fale a verdade para a população”, afirmou Maia, na ocasião.

ESCLARECIMENTO

Após a palestra, a Secretaria de Segurança enviou a seguinte nota ao Estado:

“O secretário de Segurança, Roberto Sá, esclareceu aos jornalistas após a palestra (na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro) que em nenhum momento se referiu de forma crítica ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante o evento.  Sá disse que a relação com Maia é de total sintonia e que o presidente é um grande parceiro colocando em votação projetos de lei importantes para o combate ao crime e na busca de recursos para a recuperação do Estado do Rio de Janeiro.”

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