Marcelo Sayao / EFE
Marcelo Sayao / EFE

Após temporal no Rio, Crivella diz que poderá rever critério que aciona sirenes de chuva

Equipamentos instalados no Morro do Vidigal não foram ligados na quarta-feira, apesar da tempestade que caiu sobre a região e matou seis pessoas

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 10h03

RIO - Os parâmetros que justificam o acionamento de sirenes em casos de chuvas fortes podem ser modificados para dispararem mais precocemente, já que os equipamentos instalados no Morro do Vidigal não foram ligados na quarta-feira, apesar da tempestade que caiu sobre a região, matando seis pessoas e deixando um rastro de destruição. A possibilidade de mudança nos critérios de acionamento dos alertas foi cogitada nesta quinta-feira, 7, pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, durante uma entrevista coletiva. A cidade permanece em estágio de crise em razão do temporal e a Avenida Niemeyer segue interditada nos dois sentidos para o trabalho das equipes da Prefeitura após deslizamentos.

“É bem verdade que, diante dos fatos, a gente pode mudar esse protocolo. Porque poucos milímetros de chuva causaram grandes tragédias aqui no Rio”, disse ele, após a explicação dada pelo superintendente operacional da Defesa Civil do município, Rodrigo Bissoli, sobre o motivo das sirenes no Vidigal não terem sido acionadas.

Segundo Bissoli, a Defesa Civil trabalha com parâmetro de 55 milímetros de chuva em uma hora para ligar os equipamentos. Porém, conforme constatado pela reportagem da Agência Brasil, dados da própria Prefeitura, na página Alerta Rio, apontavam 57,8 milímetros de chuva em uma hora, às 22h, o que justificaria o acionamento das sirenes no Vidigal. Quando elas são ligadas, os moradores têm de sair de casa e se dirigirem a pontos de apoio seguros pré-determinados, já conhecidos pela comunidade.

Bissoli garantiu, durante a coletiva, que todas as 165 sirenes no município estão funcionando e ressaltou que os pluviômetros utilizados pela Defesa Civil não são os mesmos usados como referência pelo Sistema Alerta Rio, também da Prefeitura, o que explicaria o não acionamento deles no Vidigal.

O prefeito do Rio justificou os estragos causados pelo temporal, que deixou seis mortos e muitos imóveis danificados ou destruídos, como um evento raro. “Ninguém esperava. Foi algo extraordinário. Foi uma chuva que a recorrência é mais de 100 anos, 120 anos”, disse Crivella.

Recursos públicos

Questionado se houve diminuição na aplicação de recursos públicos na prevenção dos efeitos das chuvas, Crivella disse que há investimentos no setor. “Temos aplicados recursos contra enchentes de maneira prévia. Há três meses nós começamos um grande mutirão de limpeza de bueiros. Talvez seja por isso que nós não tenhamos encontrado situações piores.”

Crivella afirmou que o município atravessa uma crise financeira herdada da gestão anterior, que fez, segundo ele, gastos excessivos durante os Jogos Olímpicos, os quais precisam ser pagos agora.

“A cidade do Rio de Janeiro vive uma crise econômica e financeira das piores do Brasil. A cidade perdeu 350 mil empregos de 2015 a 2018, teve queda na arrecadação e uma dívida imensa para pagar em razão das Olimpíadas. Foi R$ 1,2 bilhão no primeiro ano de governo e R$ 1,5 bilhão no ano passado. Só aí foram R$ 2,7 bilhões. É difícil fazer os investimentos que gostaríamos, diante do tamanho do compromisso financeiro assumido pelo governo anterior e que ficou para nós.” / Agência Brasil

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