Argentinos querem prolongar estadia para conhecer o Brasil

Turistas que ficaram acampados no Sambódromo do Rio têm até esta quarta-feira para deixar o espaço

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 19h03

RIO - Os turistas que ficaram acampados e estacionados no Sambódromo e no Terreirão do Samba, no centro do Rio, durante a Copa do Mundo têm até esta quarta-feira, 16, para deixar o espaço. A maioria eram argentinos que já voltaram para casa. Os poucos que ficaram pretendem prolongar a estadia no Brasil.

Martín Canosa e Juan Galici, ambos de 24 anos, vieram de Kombi com mais quatro amigos para assistir à partida final da seleção de Alejando Sabella no Rio. Eles viajarão por mais três semanas para Angra dos Reis, Cabo Frio e Búzios, na Região dos Lagos fluminense. "Aproveitamos a Copa e agora vamos conhecer outras cidades lindas".

A holandesa Paulien Asma, de 27 anos, viaja de carona pelo País. Ela esteve em São Paulo duas vezes para acompanhar a seleção de seu país e agora está no Rio com amigos argentinos, com quem assistiu à final do Mundial. Desde novembro, ela viaja pela América Latina e já percorreu 5 mil quilômetros de carona desde San Pedro de Atacama (no norte do Chile) ao Rio. "Não pensava em vir para o Brasil, mas fui contagiada pelo clima de Copa nos outros países".

Encantada com o País, Paulien pretende viajar pelo País até o fim do ano, mas ainda não definiu quais cidades visitará. "Gosto de ficar nos locais e conhecer as pessoas que vivem no local. É o que tem mais valor".

O colombiano Jorge Alberto, de 36 anos, chegou ao Rio no sábado, 12, com a mulher argentina Maria Inês, de 29. De bom humor, ele disse que ficou impressionado com a desigualdade social da cidade, mas encantado com a solidariedade e hospitalidade dos cidadãos. Ele contou que quando chegou à capital fluminense recebeu ajuda de um morador do morro do Vidigal, na zona sul, que desviou o caminho para ensiná-lo a chegar ao Sambódromo. 

A viagem, disse ele, valeu a pena pela amabilidade do povo. "Eu não aguento mais ouvir os argentinos gritando e cantando. Só um povo com um coração tão grande quanto o dos brasileiros para aguentá-los", brincou. Diferentemente dos demais turistas, o casal pensa em conhecer Petrópolis e Teresópolis, na região serrana, antes de ir às cidades praianas.

Pichações. Como recordação da passagem pelo Rio, alguns argentinos resolveram pichar as paredes do Sambódromo. Além de xingamentos contra Pelé, escreveram "Maradona, o melhor do mundo" e lembraram a derrota do Brasil por 7 a 1 contra a Alemanha, na semifinal. "É uma recordação que deixamos para vocês, brasileiros", afirmou Miguel Contreras, de 26 anos.

A secretaria municipal de Turismo (Riotur), informou que os hóspedes têm até as 11h de quarta para deixar o espaço. Depois disso, serão realizados os serviços de manutenção como limpeza de banheiros e vias e pintura das arquibancadas.

Transporte. Mesmo tendo gostado do Brasil, o argentino Javier Soto Mellado, de 38 anos, ria de uma ironia do destino: especialista em segurança viária, a maioria dos problemas que ele teve no País foram justamente com os transportes. Nesta terça-feira, 15, ele aguardava, no Aeroporto Internacional do Galeão, o "surgimento" de uma vaga de última hora em um voo para Buenos Aires.

Por não ter comprado uma passagem para casa com antecedência, ele precisa esperar uma desistência em um voo para conseguir um lugar. No País desde as quartas de final, esta não é a primeira vez que ele tem problemas para se locomover.

Após assistir à partida contra a Bélgica, em Brasília, ele e outros 49 argentinos não conseguiram passagens de ônibus para ver o jogo contra a Holanda, pelas semifinais, em São Paulo. Estavam todas esgotadas. Como solução, eles tiveram que alugar um ônibus e contratar um motorista para levá-los à capital paulista.

Depois de encontrarem a empresa, outro problema: a companhia só aceitava dinheiro (reais), e o grupo possuía apenas pesos argentinos. No fim, conseguiram pagar com cartões de crédito e quem não coube no ônibus alugou carros e dirigiu por 15 horas, para assistir no telão da Fan Fest (o mais próximo possível) Messi e companhia. "Como se faz um evento desse tamanho e não há passagens de ônibus para as pessoas assistirem aos jogos?", questionou.

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