Renan Olaz/ CMRJ
Renan Olaz/ CMRJ

Arma utilizada para matar Marielle e Anderson foi uma submetralhadora

Há um número reduzido de submetralhadoras como a MP5 no Rio; elas são utilizadas por forças especiais das polícias Civil, Militar e Federal

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 12h02

A reprodução simulada (reconstituição) do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes confirmou que a arma utilizada no crime foi uma submetralhadora HK MP5. Com isso, a Polícia Civil pretende periciar todas as armas desse tipo que pertencem às forças de segurança do estado do Rio de Janeiro.

A informação é do jornal O Globo, citando fontes ligadas à investigação. O laudo oficial da reconstituição, realizada na madrugada de sexta-feira, 11, deverá ficar pronto somente no próximo mês.

A reprodução simulada contou com a presença de quatro testemunhas que estavam no local na noite do crime. Durante a reconstituição, os policiais efetuaram tiros com balas de verdade e com diferentes tipos de armas, a fim de que as testemunhas pudessem identificar se o som dos disparos era semelhante ao ouvido quando Marielle e Anderson foram assassinados.

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Há um número reduzido de submetralhadoras como a MP5 no estado do Rio. Elas são utilizadas por forças especiais das polícias Civil, Militar e Federal.

 

Acordo

Autoridades de segurança responsáveis pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes tentam negociar um acordo de colaboração premiada com o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando de Curicica. Suspeito de chefiar uma milícia, ele é acusado de ser um dos mandantes dos crimes, ocorridos em 14 de março, e está preso por causa de outro homicídio.

Na noite de quinta-feira, 10, o delegado Giniton Lages, da Delegacia de Homicídios, esteve em Bangu 1, segundo a Polícia, para conversar com Araújo. O promotor Homero das Neves confirmou que também pretende conversar com Araújo na semana que vem.

Apontado por uma testemunha como um dos articuladores das  mortes de Marielle e Anderson, Araújo acusou o delegado de ameaçá-lo para que confessasse a participação na execução da parlamentar. A informação é do advogado Renato Darlan, que esteve com Araújo na manhã da sexta-feira, 11. Segundo o advogado, não se trata da negociação de um acordo, até porque Araújo já negou participação no crime, mas, sim, de coação.

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“Ontem à noite (quinta-feira), o Araujo recebeu a visita do delegado da Divisão de Homicídios, em Bangu, que claramente o ameaçou”, contou Darlan. “Giniton disse que ele deveria assumir esse homicídio (de Marielle) e que, desta forma, poderiam prender o vereador (Marcello Siciliano) e dar a ele (Araujo) o perdão judicial. Caso contrário, mais dois homicídios seriam colocados na conta dele, e ele ainda seria transferido para (o presídio federal de) Mossoró.”

A Secretaria de Segurança confirmou que o delegado esteve na unidade “para ouvir o preso sobre o homicídio da vereadora”. Em nota, a secretaria informou ainda que “mesmo após ter pedido a presença do delegado, o detento disse que não prestaria depoimento formal. O delegado explicou ao preso quais são os seus direitos e propôs que conversasse com o advogado antes de tomar uma decisão.”

Uma testemunha do caso ouvida pelo jornal O Globo disse que o assassinato da vereadora foi tramado pelo vereador Marcello Siciliano (PHS) juntamente com Araujo. Siciliano negou envolvimento  e classificou as acusações de “factoides”. Araújo, por sua vez, divulgou uma carta negando participação no caso e qualquer envolvimento com a milícia da zona oeste.

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O ex-PM estava preso preventivamente em Bangu 9, acusado de um assassinato com características de execução semelhantes às do crime de Marielle e Anderson e também por posse ilegal de arma. Segundo investigações do Ministério Público, Araújo é miliciano conhecido e atua na área de Curicica, na zona oeste. Sua defesa sustenta, no entanto, que ele é apenas um líder comunitário.

Na noite de quarta-feira, logo depois da divulgação das acusações, Araújo foi transferidode Bangu 9 para Bangu 1, que é um presídio de segurança máxima. O advogado Renato Darlan afirmou que seu cliente está sem comer desde a noite da transferência porque, tendo sido ameaçado de morte no presídio, só se alimentava com refeições vindas de fora. Teme ser envenenado. Em Bangu 1, no entanto, só é permitido aos presos comer a comida da prisão. Agora, diz Darlan, ele está sendo ameaçado. A defesa de Araújo informou que pretende pedir a sua transferência para a carceragem da Divisão Anti-Sequestro por motivo de segurança.

“Não foi uma proposta, foi uma ameaça: ou você fala ou você fala, ou você assume ou você assume”, afirmou Darlan, referindo-se à conversa entre Araujo e Giniton. “O Orlando (Araújo) não tem nada a ver com esse caso, não tem condenação; então ele não tem o que negociar. E quando tentam imputar um crime que o sujeito não cometeu em troca de um benefício, não vejo troca alguma.”

Segundo o advogado, o delegado teria dito que se Araújo não colaborasse com as investigações, seria acusado também do assassinato de Alexandre Pereira, um colaborador de Marcello Siciliano e morto em Curicica, na zona oeste, no último dia 9 de abril. Outro assassinato cuja autoria lhe seria atribuída seria de outro homem na mesma região, conhecido como André.  

Para Darlan, a transferência para um presídio de segurança máxima já foi uma forma de pressão psicológica sobre o seu cliente. “Em Bangu 1 ele não tem banho de sol, não tem cigarro, nada disso. É uma pressão psicológica imensa. Além disso, ele não está comendo por causa da ameaça de envenenamento.”

A Secretaria de Segurança informou que a transferência de Araújo já estava pedida desde o dia 25 de abril, “por conta de condutas criminosas que lhe são imputadas em outras investigações”.

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