Armas diferentes feriram vítimas no ano-novo, crê polícia

Disparos feitos no momento da queima de fogos não vieram de favelas no Rio, diz delegada que investiga o caso

Alexandre Rodrigues e Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2008 | 09h06

Peritos e a delegada responsável pela investigação de quatro dos seis casos de bala perdido registrados na festa de ano-novo de Copapcabana, no Rio de Janeiro, acreditam que se os depoimentos das quatro vítimas foram de fato exatos, os tiros foram disparados por autores diferentes. A principal dificuldade da polícia é avaliar o calibre das balas, uma vez que os quatro projéteis estão alojados no corpo das vítimas e os médicos não recomendam a remoção. Numa análise preliminar do raio X de três deles, a delegada e os peritos disseram acreditar que não se trata de balas de fuzil, mas que qualquer conclusão ainda carece de "substância técnica". Eles disseram que as balas parecem diferentes e que as vítimas podem ter se enganado na reconstituição.  Os especialistas aguardam o laudo do Instituto Médico-Legal (ML) sobre os ferimentos e um possível exame de balística para tentar traçar a trajetória das balas e a distância dos disparos. O delegado André Drummond, titular da 13ª Delegacia de Polícia, investiga os outros dois casos de baleados em Copacabana na noite do réveillon.  Drummond aguarda a melhora do estado de saúde do turista mineiro Gustavo Queiroz, de 24 anos, ainda internado com dois tiros. Há dúvidas se o caso, ocorrido às 2h30, é de bala perdida. O delegado também vai apurar o ferimento de Rodrigo Cruz, de 23 anos, atingido no ombro na altura da Rua Constante Ramos.  Segundo a delegada Martha Rocha, é improvável que os tiros tenham sido disparados de favelas próximas. "Não nos parece que os tiros tenham vindo de alguma comunidade", afirmou. No entanto, Martha ressaltou que faltam elementos para afirmar que os disparos possam ter partido de um edifício da orla ou do meio da multidão na praia. "Podemos dizer que os tiros foram descendentes, mas isso não quer dizer que o disparo foi feito acima da pessoa. Pode ter sido um disparo do chão que retornou."  Martha revelou que a vendedora Camila Rodrigues e o vigilante Anderson Fagundes disseram terem sido atingidos por balas vindas da direção do Leme para o Posto 6. Camila e Fagundes estavam muito próximos, num raio de menos de 50 metros, perto do palco, na altura da Rua Figueiredo Magalhães. Já o policial civil Carlos Alberto Tavares, que estava do outro lado do palco, na altura da Rua Santa Clara, descreveu o disparo que levou na perna na direção oposta.  A quarta vítima, Vilma de Oliveira Santos, de 64 anos, prestou depoimento na quinta-feira, 3. Com Martha e dois peritos, Vilma voltou à esquina da Avenida Atlântica e Rua Figueiredo Magalhães, onde foi atingida nas costas, enquanto assistia ao show pirotécnico, ao lado de um carro da Polícia Militar. Ela não soube descrever a direção do tiro e não levou a radiografia. Assustada, Vilma não quis dar declarações.  Mea-culpa O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), admitiu que há falhas na segurança, mas disse que o governo do Estado está empenhado na retirada de armas das mãos de criminosos. "Isso não tem mágica. Estamos ainda enfrentando uma marginalidade militarizada, cruel, que se droga e atira a esmo a qualquer hora, até mesmo na hora do réveillon. Temos de enfrentar isso."

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