Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Ato em defesa da PM tem 152 cruzes fincadas em Copacabana

Manifestação organizada pelo movimento Rio de Paz defendeu os direitos humanos dos policiais mortos e feridos nos últimos dois anos

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 14h43

RIO - Um ato em defesa da Polícia Militar do Rio de Janeiro ocupou a Praia de Copacabana, na zona sul da capital fluminense, na manhã desta terça-feira, 9. O movimento Rio de Paz fincou 152 cruzes de madeira nas areias da orla para representar o número de policiais mortos de forma violenta nos últimos dois anos.

Familiares das vítimas e PMs que tiveram que se afastar das funções por causa de sequelas sofridas em confrontos com criminosos estiveram presentes. A manifestação foi silenciosa e chamou a atenção de poucas pessoas que passavam pelo local. Além das 152 cruzes, uma maior, de aproximadamente três metros, foi enrolada com uma farda da PM manchada de tinta vermelha.

"Nós entendemos que direitos humanos não têm lado, e por isso hoje nós estamos do lado da polícia", disse Antônio Costa, fundador do Rio de Paz. "Nós acreditamos que a polícia tem recebido tratamento desumano por parte do Estado. Ela é mal remunerada, muito pouco valorizada, e espera-se da polícia o impossível: que ela dê conta sozinha da segurança pública do Rio de Janeiro, uma cidade profundamente desigual, na qual os desiguais vivem lado a lado, num contexto de uma cultura de consumo. Somado a isso, uma guerra às drogas e um Estado fraco."

O movimento Rio de Paz já realizou outros atos semelhantes, incluindo protesto contra os gastos na Copa do Mundo e pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo, na Favela da Rocinha, também na zona sul.

"Aconteceu, no ano passado, da família do Amarildo nos procurar - e aí nós estávamos do outro lado, dando voz ao pobre, cujo direito havia sido violado pela Polícia Militar. Hoje, nós estamos do lado da Polícia Militar", disse Costa. "Não há incompatibilidade, nós não somos esquizofrênicos, porque direitos humanos envolvem direitos de todos os seres humanos", argumentou.

Além da homenagem aos PMs mortos, a manifestação também pedia por mais segurança aos policiais e mudanças no Código Penal. "Só neste ano são 79 (policiais) mortos e 258 baleados no Rio de Janeiro. Esse número é muito alto. Nós somos pagos para combater a violência, e hoje somos vítima dela", disse a cabo da PM Flávia Louzada.

"Nossa principal reivindicação é que mude o Código Penal. Já há um projeto no Legislativo para que seja transformado em crime hediondo todo crime cometido contra a integridade física do policial. Nós queremos que seja desengavetado esse projeto", destacou.

Convocada pelas redes sociais, a manifestação recebeu algumas críticas de pessoas que consideram a PM do Rio violenta. Sobre isso, a cabo defendeu a corporação argumentando que "desvios de conduta existem em todas as profissões". 

"Há pouco tempo foi noticiado pelos jornais que um médico se recusou a atender uma mulher grávida no estacionamento de um hospital porque, segundo ele, não havia condições de assepsia. Duas semanas depois, uma guarnição da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Complexo do Alemão resgatou uma mulher grávida, e como não ia dar tempo de chegar ao hospital, eles realizaram o parto dentro da viatura, sem qualquer condição", lembrou a PM. "Não foi porque o médico se recusou que as pessoas falam mal da classe médica, porque eles individualizam aquele médico."

"Mas, no caso da polícia, não sei por que razão, quando o policial comete um erro ou um desvio de caráter - que eu acho que não se explica, se pune - não há essa individualização. Sequer colocam o nome do policial, se coloca 'um PM foi preso por isso', e acaba que pelos maus exemplos, por pessoas que nem sequer deveriam usar farda, toda classe policial acaba pagando por isso", exemplificou a cabo.

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