Carlos Wrede/Agência O Dia
Carlos Wrede/Agência O Dia

Ator é agredido no centro do Rio após deixar festa gay

Maxie Maya, do grupo Nós do Morro, disse que foi xingado com expressões homofóbicas e levou um soco no olho; polícia investiga

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2014 | 15h51

Atualizada às 18h36

RIO - O ator Max do Nascimento Andrade, o Maxie Maya, de 29 anos, foi agredido na manhã de domingo no centro do Rio quando voltava para casa depois de uma festa destinada ao público LGBT. Ele disse que foi xingado com uma expressão homofóbica antes de levar um soco no olho direito, por volta de 7h30, quando caminhava com um grupo de três amigos em direção ao metrô da Cinelândia. O caso foi registrado na 5.ª DP como lesão corporal. A Polícia Civil informou apenas que a investigação “está em andamento”.

“Eu tinha saído da boate Scala e estava descendo a escada da estação do metrô com meus amigos quando veio em minha direção um homem alto, branco e forte, de cabelo preto. Ele me chamou de ‘veadinho’ e me deu um soco muito forte no olho. Eu caí, sangrando, e ele saiu correndo. Foi muito rápido”, contou o ator do grupo Nós do Morro. Max foi levado pelos amigos para o Hospital Souza Aguiar, no centro. Também fez exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Ele sofreu ferimentos em volta o olho, que ficou muito inchado.

Sergipano que há 5 anos mora no Rio, Max disse que nunca havia sofrido discriminação por ser gay, nem por ser nordestino. Na segunda-feira, ele faltou ao trabalho, em um curso para alunos de pós-graduação, no centro. “Para sair de casa, por enquanto, só acompanhado. Ontem, eu nem consegui sair.” Perguntado sobre a recorrência de ações homofóbicas no País, o ator declarou: “Em tempos de pedras, atire a primeira flor.”

Procurado pela reportagem, o Metrô Rio informou que as câmeras de monitoramento da estação não registraram a agressão na manhã de domingo. 

Max nasceu no Sergipe e mora no Rio há cinco anos. Ele já foi ouvido pela polícia, que tenta identificar o agressor. 

O Nós do Morro foi fundado em 1986 pelo jornalista e ator Guti Fraga, com o objetivo de criar acesso à arte e à cultura para crianças, jovens e adultos do Morro do Vidigal, na zona sul do Rio. O projeto foi ampliado e hoje oferece cursos de formação nas áreas de teatro (atores e técnicos) e cinema (roteiristas, diretores e técnicos) não apenas para moradores do Vidigal.

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