Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Automóvel Clube do Brasil luta para recuperar sede no Rio

Processo para restaurar prédio histórico na região central da cidade, que hoje pertence à prefeitura, emperrou

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Fundado pelo aviador, piloto e inventor Alberto Santos Dumont (1873-1932) em setembro de 1907, o Automóvel Clube do Brasil (ACB) chega aos 110 anos com grandes desafios. O principal deles é recuperar o histórico prédio que foi sede da instituição ao longo de quase todo o século 20 - e desde 2004 pertence à prefeitura do Rio.

O suntuoso casarão no centro carioca foi inaugurado em 1860, com um baile que contou com a presença do imperador d. Pedro II. Era casa do barão de Barbacena. Projetado pelo arquiteto Manuel José de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), tornou-se sede do Automóvel Clube em 1908. Nas décadas seguintes sediaria grandes bailes e seria palco para discursos históricos - como o último feito pelo então presidente João Goulart (1918-1976), pouco tempo antes de os militares tomarem o País.

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Depois de ser ocupado por um bingo - que fechou em 2003 - o prédio, tombado pelo patrimônio histórico fluminense desde 1965,  acabou adquirido pela prefeitura. Foram aventados diversos projetos: de museu do samba a centro cultural da procuradoria municipal, passando por um clube de jazz. Nada saiu do papel. Enquanto isso, o prédio foi se deteriorando. Pichações e rachaduras podem ser vistas da rua. Por dentro, conforme testemunhas ouvidas pelo Estado, a situação é ainda pior: parte do assoalho foi arrancado, há paredes sem rebocos e vidros quebrados.

No ano passado, a prefeitura decidiu abrir um chamamento público em busca de interessados em assumir, mediante concessão, o imóvel. O Automóvel Clube do Brasil, instituição que foi reorganizada nos últimos 20 anos, foi o único interessado. "Apresentamos um projeto de recuperação, com patrocinadores da indústria automobilística, no valor de R$ 30 milhões", conta o empresário Ariel Gusmão, presidente do clube.

De acordo com o projeto, seriam necessários 12 meses para resolver os problemas estruturais e, em seguida, quatro anos para implantar, no interior do casarão, um museu do automobilismo. "Nele, estariam instalados originais ou réplicas dos principais veículos que já venceram provas automobilísticas no País ou pelo País", vislumbra Gusmão. O clube também pretende instalar ali uma faculdade de engenharia e design automotivo e uma orquestra vinculada à instituição. Procurada pela reportagem, a prefeitura do Rio informou que o processo de concorrência pública para a escolha do projeto de recuperação do prédio ainda não foi aberto.

Comemorações

Ao longo dos próximos 12 meses, Gusmão e sua equipe pretendem realizar diversos eventos para marcar os 110 anos da instituição. "Gostaríamos, por exemplo, de promover uma prova automobilística com carros antigos no Autódromo de Interlagos, se possível no aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro", comenta ele. Também está prevista a realização de uma exposição, ainda sem local nem data definidos, com 110 veículos, um representando cada ano de 1907 até agora. "Dos mais antigos, já temos mapeados proprietários que poderiam emprestar seus veículos. Dos mais recentes, pretendemos fazer uma campanha nas redes sociais para que o brasileiro escolha qual carro é o mais representativo de cada ano", explica.

A sede administrativa do clube, no bairro de Indianópolis, na zona sul, também está movimentada. A instituição pretende inaugurar em breve uma escola de restauração de veículos antigos, voltada a jovens de baixa renda. "Já temos 10 veículos que foram da família Matarazzo e outros 20 carros antigos em nossa garagem. Eles serão utilizados nas aulas práticas", adianta Gusmão. O clube também deve inaugurar, ainda neste ano, uma sucursal em Bauru, no interior do Estado.

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