Autores de atentado a delegado estariam coagindo testemunhas

Policiais distribuem cartazes pedindo colaboração de moradores e solicitam fitas de câmeras de prédios

Talita Figueiredo, especial para o Estado,

05 Setembro 2007 | 20h41

A dificuldade da polícia em encontrar testemunhas que apontem pistas sobre os autores do atentado ao delegado adjunto da Delegacia Anti-Seqüestro, Alexandre Neto, no domingo, numa rua movimentada de Copacabana (zona sul do Rio), pode estar ligada à coação.   Segundo a polícia, pessoas provavelmente ligadas ao mandante estão indo a lojas e bares da área perguntar quem está dando informações à polícia. Por ordem do titular da Delegacia de Homicídios, Roberto Cardoso, que investiga o caso, policiais distribuíram cartazes pedindo a colaboração dos moradores que tenham presenciado o ataque.   Na tarde de terça, Cardoso solicitou também que sejam arrecadadas fitas de possíveis câmeras de prédios da Avenida Nossa Senhora de Copacabana para tentar identificar o carro usado. Ele suspeita que essa tenha sido a rota de fuga dos criminosos.   Atingido por quatro tiros, Neto deu entrevista ontem no quarto do Hospital Quinta D' or, onde está internado. Apesar de chamar o ex-chefe de Polícia Civil e atual deputado federal Álvaro Lins (PMDB) de "inimigo", a quem já denunciou por suposto envolvimento com o jogo do bicho, ele não quis apontar culpados e não descartou nenhuma das quatro linhas de investigação da polícia.   Neto também não descarta a hipótese de ter sido alvo do sargento PM Márcio da Silva Barbosa, que tem um carro prata - mesma cor do usado no dia do crime. No ano passado, Neto se desentendeu com o sargento depois de ter estacionado seu carro em lugar irregular. "O tempo passou, mas talvez a raiva não", disse.   O PM prestou depoimento e teve seu carro apreendido. Seu Polo prata passa hoje por uma perícia. O delegado quer saber se no carro do policial há projéteis deflagrados, já que os tiros que atingiram Neto foram feitos de dentro de um carro. "Como não havia cápsulas na cena do crime, pode ser que elas tenham ficado dentro do carro do criminoso. Por isso a perícia do carro dele é importante", disse.   Outra perícia foi feita ontem, para procurar cápsulas dentro do estofado do banco do motorista e do banco traseiro do carro onde estava Neto. Esses projéteis podem ser usados para definir o calibre da arma e ser usados em confrontos balísticos com armas arrecadadas durante a investigação. Até a conclusão desta edição, o trabalho não havia terminado.   A terceira hipótese investigada seria que Neto foi vítima de um crime armado pelo ex-diretor do Instituto Médico Legal, Roger Ancilotti. Neto era uma das duas testemunhas de defesa do perito Daniel Ponte, que acusa a administração de Ancilotti de corrupção.   A quarta linha de investigação se refere ao envolvimento de outro grupo de policiais militares que eram investigados pelo delegado pelo sequestro do traficantes Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, em fevereiro deste ano.   Neto, ainda se recuperando da cirurgia que amputou um dos dedos de sua mão direita, disse, no entanto, que tem certeza de que o autor dos disparos seja um policial, pela forma como foi atingido. "Se eu estivesse investigando meu próprio atentado, não teria nenhum ranking de suspeitos. Investigaria todas a hipóteses", afirmou.

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