Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Avanço de UPPs faz traficantes migrarem da capital para a Região dos Lagos

Iniciada em 2014, operação da PF e do MP desmantelou quadrilha com a prisão de 21 suspeitos e apreensão de armas e drogas

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2015 | 17h13

RIO - Com o avanço das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas da capital fluminense, traficantes de drogas da capital estão migrando para municípios da Região dos Lagos, como Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, em busca de clientes. Divulgada nesta terça-feira, 27, uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público iniciada em 2014 resultou na prisão de 21 supostos integrantes de uma quadrilha que age nessas cidades. Segundo a PF e o MPF, o bando movimenta R$ 1,8 milhão por mês em drogas e armas.

A investigação foi iniciada em setembro. As prisões começaram em novembro, com dois supostos cabeças da quadrilha. Um era o Carlos Eduardo Rocha Freire Barbosa, com perfil de classe média e conhecido como Cadu Playboy, de Cabo Frio. Outro era o chefe do comércio de drogas na favela da Mangueira, no Rio, João Paulo Firmiano Mendes da Silva, o Russão. Barbosa comprava cocaína e armas de Silva para expandir seus domínios na Região dos Lagos, acusam policiais federais e procuradores. 

“Cadu queria ser o dono da região até 2016, ano das Olimpíadas, quando a movimentação de turistas será grande. Como vem da classe média e tem certa cultura, tem ascendência sobre os outros bandidos”, afirmou o delegado federal Fábio Andrade, da área de repressão a crimes contra o patrimônio. “Os números da quadrilha nos surpreenderam, são alarmantes para a região.”

De novembro para cá, outros 19 presos suspeitos foram presos, 11 até as 16 horas desta terça-feira (ainda restavam cinco mandados de prisão preventiva a cumprir). Entre os detidos, está o pai de Cadu, Francisco Eduardo Freire Barbosa, secretário de Turismo de Arraial do Cabo. Ele foi encontrado em Cabo Frio, município vizinho, numa casa de alto padrão em que havia R$ 31 mil, além de R$ 15 mil em um automóvel, nos dois casos em dinheiro.

Cadu usava mais seis parentes para lavar o dinheiro do tráfico, segundo os investigadores. Tinha dez imóveis, 14 terrenos, 16 veículos, uma escuna e um jet ski nos nomes desses laranjas.

Crime eleitoral. Outro crime atribuído ao grupo é de ordem eleitoral: o traficante, segundo as investigações, arregimentou moradores de Cabo Frio e de São Pedro da Aldeia para votar em candidatos a deputado estadual e federal de sua escolha (eles não se elegeram). Cadu planejava lançar candidatos ligados ao seu grupo para a Câmara de Vereadores de Cabo Frio em 2016.

A PF e o MP acreditam ter desarticulado toda a estrutura da quadrilha, dos fornecedores de cápsulas que servem de embalagem à cocaína aos laranjas. Desde novembro, foram apreendidos com a suposta quadrilha mais de R$ 800 mil em espécie, 18 pistolas, três fuzis, mais de 3.400 munições e duas granadas.

“O movimento das UPPs fez com que as drogas e armas fossem para o interior, não só para a Região dos Lagos, mas também para o Norte Fluminense”, disse o promotor Marcelo Maurício Arsênio, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado do MP. “Cadu é ganancioso e oferecia refúgio a eles.” A operação ganhou o nome de Dominação por causa das ambições do traficante. 

A Região dos Lagos tem sete municípios e é muito procurada por veranistas, do Rio e de fora, por suas praias.

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