CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Avenida Rio Branco, no Rio, fará teste só com pedestres

A exemplo da Avenida Paulista, prefeitura carioca quer fechar via para carro aos domingos; especialistas são contra

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2015 | 04h10

RIO - Em iniciativa semelhante à testada na Avenida Paulista, em São Paulo, a Prefeitura do Rio vai passar, no próximo domingo, a fechar a Avenida Rio Branco, no centro, ao tráfego de veículos. O projeto, que prevê a circulação exclusiva de pedestres na via, local de obras de instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e de constantes assaltos, é visto com pessimismo por especialistas, para quem não haverá interesse em passeios na Rio Branco, onde lojas fecham aos domingos.

“A abertura da Avenida Rio Branco, que se chamava justamente Avenida Central, era para ligar o porto à zona sul, chegando na Avenida Beira-Mar. O conceito urbanístico é de uma ligação para veículos. Não pode se transformar em via de pedestres”, opina o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Para ele, não haverá interesse das pessoas. “Você acha que os pedestres vão passear na avenida com calor, sol forte batendo?”

O historiador Milton Teixeira, estudioso da região central carioca, ressalta que a Rio Branco só ficou um ano de sua existência aberta para pedestres. Em 1906, quando a cidade tinha cerca de 90 veículos, os carros passaram a dividir espaço com os passantes. Contrário à iniciativa da prefeitura, Teixeira diz que a paralela Rua 1.º de Março seja restrita a transeuntes no fim de semana. “Se a 1.º de Março fosse uma rua para pedestres, seria mais interessante. Você tem mais restaurantes tradicionais, templos”, disse.

Os comerciantes ainda não demonstraram que pretendem abrir aos domingos. A região da Rio Branco tem sido inóspita para a categoria. De 1.200 lojas fechadas desde o início do ano no Rio, cerca de 600 ficam no centro, estima o empresário Aldo Gonçalves, integrante do Conselho Empresarial de Comércio de Bens e Serviços da Associação Comercial do Rio. Ele atribui a situação à violência e às obras, além da crise econômica. “Tem tapume, tem poeira, mau cheiro. Realmente não é um cenário muito acolhedor.”

Otimista. Já o geógrafo João Baptista, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do projeto Roteiros Geográficos do Rio, que oferece caminhadas gratuitas, vê a iniciativa com otimismo. “Vai dar para você andar perfeitamente com o grupo. Haverá um impedimento ou outro, mas vai dar tudo certo. A Rio Branco ficará como um bulevar para bater pernas.”

O mesmo dia do fechamento da Avenida Rio Branco para o tráfego marcará a inauguração da nova Praça Mauá, totalmente reformada como parte do projeto Porto Maravilha. 

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