Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Bala perdida mata homem com bebê no colo na Rocinha

PM diz que fazia patrulha na região, mas nega ter efetuado disparos na favela nesta quinta

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 19h54

RIO - Em mais um dia de violência na Rocinha, na zona sul, um homem foi baleado e morto na varanda de casa, enquanto segurava o filho de dez meses no colo. O homem, identificado com Davidson Farias de Sousa, de 28 anos, chegou a ser levado para a UPA  local, mas não resistiu. Empunhando a camiseta repleta de sangue que Davidson vestia na hora em que foi atingido, Diogo, irmão da vítima, fez um protesto em frente à 11ª Delegacia de Polícia. Na última semana, pelo menos dez pessoas morreram na Rocinha vítimas da violência.

De acordo com testemunhas, eram por volta de 16h30 da tarde quando policiais do Batalhão de Choque chegaram a uma localidade chamada de Larguinho da Vila Verde atirando. Davidson estava sentado na varanda de casa com o filho no colo quando foi atingido por um dos disparos na barriga. A criança caiu de seu colo e teria batido com a cabeça no chão. Ela está sendo atendida na UPA, mas não há ainda informações sobre o seu estado de saúde.

A Polícia Militar negou que tenha efetuado disparos na Rocinha nesta quinta-feira. Nota divulgada pela PM informa que os policiais do Batalhão de Choque estavam patrulhando a Vila Verde quando ouviram disparos. "Como não se viu a origem dos disparos, não houve revide por parte dos policiais militares. Logo a seguir, a equipe tomou conhecimento que um homem baleado havia sido levado para a UPA Vila Verde e não resistira ao ferimento", diz a nota oficial.

Desde sábado passado, essa é a décima morte na comunidade. A Delegacia de Homicídios abriu seis inquéritos diferentes para investigar oito mortes ocorridas durante operação do Batalhão de Choque na Rocinha no último fim de semana, entre elas a de Matheus da Silva Duarte de Oliveira, de 19 anos, que era dançarino de um projeto social. Na segunda-feira, foi registrada mais uma morte durante uma incursão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na comunidade.

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