Bandidos matam PM sem farda e ameaçam família no Rio

Cabo Luiz Carlos Dentino Barbosa foi morto por criminosos que iriam assaltá-lo, mas o reconheceram como policial militar

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2016 | 23h00

RIO - O cabo Luiz Carlos Dentino Barbosa Júnior, de 33 anos, estava na frente de um borracheiro, perto de casa, no bairro de Guadalupe, na zona norte, quando um “bonde” passou. Os criminosos pararam e anunciaram o assalto. Mas o cabo, criado no bairro, foi reconhecido como policial militar. Morreu no local, com um tiro na cabeça. 

No mesmo dia, os criminosos invadiram a casa dele, levaram objetos de valor, como um computador, e deixaram um recado para a viúva com os vizinhos: que a família não voltasse. “Minha casa era própria. Agora está alugada. Tenho medo de ir lá até para cobrar o aluguel. A polícia nunca fez nada”, conta Yasmin Ceres Saldanha, hoje com 29 anos, que na ocasião se mudou com os filhos pequenos, com 2 e 3 anos, para a casa da mãe.

O crime aconteceu em 26 de setembro de 2014. Naqueles dias, criminosos vinham montando barricadas nas ruas do bairro, como forma de controlar a circulação de carros. Houve falsas blitze na Estrada do Camboatá, a principal via, pneus queimados, invasões de loteamento. Na rua em que Yasmin e o marido moravam também viviam outros PMs. Eles também foram obrigados a deixar o bairro. “A situação continua ruim lá. Eles fazem arrastão, assaltam quem está no ponto de ônibus. Todo dia entre 5 e 6 horas tem assalto”, conta.

Ela e Barbosa Júnior moravam juntos havia cinco anos. Mas nunca oficializaram a relação. Por causa da burocracia, ela não consegue receber como pensionista. “Meus filhos recebem, mas o benefício vai acabar quando eles tiverem 18 anos. Tenho de entrar na Justiça para ser reconhecida como viúva. Mas, se fizer isso, imediatamente bloqueiam 50% da pensão. Não tenho como viver com metade do salário, até sair a sentença”, conta.

Apesar de o cabo estar de folga no dia do crime, a Polícia Militar considerou que ele foi morto em função da profissão e concedeu a promoção que é conferida àqueles que morrem em serviço. Yasmin diz que o mais difícil é ver os filhos crescerem sem o pai. “A mais nova não lembra do pai. Tinha só 2 anos. O mais velho sempre fala do pai. Era o herói dele.” 

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