MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Batman é expulso de ato contra aumento da tarifa no Rio

Eron Melo, que costuma participar de protestos posou recentemente para fotos ao lado de Bolsonaro durante ato contra Dilma

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2015 | 19h56

RIO - O protético Eron Melo, que costuma participar de manifestações no Rio fantasiado de Batman e recentemente posou para fotografias ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), foi rechaçado e agredido por ativistas nesta sexta-feira, 9, durante ato convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento de 13,3% na tarifa dos ônibus municipais, no centro do Rio.

Ele chegou por volta das 19 horas, quando os manifestantes já caminhavam em direção à Central do Brasil pela Rua Primeiro de Março, e foi recebido aos gritos de “fascista”. Melo segurava um cartaz com a inscrição “#luto Je Suis Charlie”, em referência aos atentados em Paris, que foi arrancado de sua mão. Em seguida, envolveu-se em uma briga com um pequeno grupo. Policiais que estavam ao lado não interferiram. “Deixa eles se matarem”, comentou um dos PMs.


“Ele foi rechaçado por apoiar o Bolsonaro, que é a favor debater em mulher, e também porque apoiou ato em apoio aos militares no anopassado”, disse o estudante de Geografia Mateus Rodrigues Queiroz, de 20 anos.Melo foi fotografado ao lado de Bolsonaro durante manifestação contra apresidente Dilma Rousseff (PT) realizada na orla de Copacabana, em 15 denovembro.

Ele ficou menos de cinco minutos no ato do MPL. Deixou olocal pela lateral do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em fuga, amparadopor dois ativistas, enquanto outros gritavam: “fascista”, “oportunista”. Emdepoimento ao coletivo Linhas de Fuga, Melo declarou: “Se eles dizem que é umato popular, como querem definir quem pode e quem não pode? Eu tenho a minhafilosofia pessoal, não sou de direita e nem de esquerda. Que a população seorganize de forma partidária, sem esses pseudoanarquistas. Era um ato contra aDilma, e daí que tirei foto com o Bolsonaro?”

O protesto reuniu mil pessoas, segundo estimativa de umoficial da Polícia Militar, e 5 mil, de acordo com o MPL do Rio. PMs dosBatalhões de Choque e de Grandes Eventos acompanharam a passeata, fazendo umcerco aos ativistas. Dentro da estação ferroviária Central do Brasil, onde foirealizado um protesto, policiais formaram um cordão atrás das catracas. Após adispersão, quando um grupo de menos de 50 pessoas retornava para a Cinelândia,por volta das 21 horas, policiais lançaram duas bombas de efeito moral e usarambalas de borracha contra ativistas acusados de incendiar sacos com lixo nascalçadas. Pelo menos dois ficaram feridos. Uma estudante negra foi arrastada eespancada por um PM, que a imobilizou no chão, pressionando seu rosto contra umdegrau. Algemada, ela foi levada para o quartel central da PM, antes de seguirpara uma delegacia.

Policiais também perseguiram manifestantes no entorno daCâmara Municipal e pelo menos dois foram detidos. Eles foram liberados emseguida, após revista, sob protesto de ativistas, que gritavam: “Manifestantenão é bandido, foi a PM que matou o Amarildo”, em referência ao pedreiroAmarildo de Souza, assassinado por policias da Unidade de Polícia Pacificadora(UPP) da Favela da Rocinha, em julho de 2013, segundo denúncia do MinistérioPúblico. O MPL do Rio convocou nova manifestação para o dia 16, às 17 horas, napraça da Candelária.

No Rio, a passagem dos ônibus municipais subiu de R$ 3,00para R$ 3,40 no último sábado. O reajuste de 13,3% é questionado na Justiçapelo promotor Rodrigo Terra. Pela primeira vez, o prefeito Eduardo Paes (PMDB)incluiu na tarifa custos com gratuidades e com a compra de novos ônibusequipados com ar-condicionado, que representam R$ 0,20 por passagem. Esseadicional não estava previsto no contrato com as concessionárias. Também foramanunciados aumentos de 12,45% na tarifa dos ônibus e vans intermunicipais, apartir de amanhã, do Bilhete Único (12,46%), a partir de 1º de fevereiro, dasbarcas (5,75%) e dos trens (3,66%), ambos a partir de 12 de fevereiro.

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