Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Beija-Flor faz exibição sem brilho

Embora não tenha empolgado, a escola encerrou o desfile confiante: vários componentes entoaram gritos de “bicampeã”

Fábio Grellet e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2019 | 05h48

Atual campeã, a Beija-Flor foi a quinta escola a desfilar na primeira noite de desfiles no Rio, na madrugada desta segunda-feira, 4. A escola de Nilópolis (Baixada Fluminense) comemorou seus 70 anos revisitando seus principais enredos, mas não empolgou. Algumas referências foram óbvias, outras, de difícil compreensão.

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Também faltou luxo e melhor acabamento nas fantasias e carros alegóricos. Apesar disso, a escola é sempre candidata a pelo menos retornar no Desfile das Campeãs, que vai reunir no próximo sábado, 9, as seis escolas mais bem colocadas entre as 14 concorrentes.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, desfilou representando um casal de beija-flores. Seguiram-se referências aos enredos mais famosos ou importantes da escola, desde “Peri e Ceci”, com que a escola ficou em 10º lugar na segunda divisão, em 1963, até “Monstro é aquele que não sabe amar! Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, vitorioso na elite em 2018.

Não faltaram “Sonhar com Rei dá Leão”, que rendeu o primeiro título da escola, em 1976, com o carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011), e “Ratos e Urubus, Larguem minha Fantasia”, que ficou famoso em 1989 por levar ao sambódromo uma alegoria do Cristo Redentor que, proibido pela Justiça de ser exibido, foi coberto com um plástico preto e um cartaz onde se lia “mesmo proibido, olhai por nós”. A referência a esse imbróglio tão marcante, no entanto, pode ter passado despercebida à maioria do público, porque em vez de reproduzir a famosa alegoria a Beija-Flor preferiu colocar ratos e mendigos sobre um carro alegórico.

Teve ainda referência a Roberto Carlos, cantor e compositor que virou enredo campeão em 2011, e uma ala inteira em homenagem a Pinah, destaque que ficou famosa em 1978 ao sambar com o príncipe Charles, da Inglaterra, durante uma visita dele ao Brasil. A própria Pinah desfilou como destaque de chão, mas, espremida entre duas alas, teve pouco espaço para ser reverenciada.

Em alguns momentos a escola pareceu correr demais, aparentemente por ter um número exagerado de componentes para os no máximo 75 minutos de exibição.

Embora não tenha empolgado, a escola encerrou o desfile confiante: vários componentes entoaram gritos de “bicampeã”. A conferir na apuração, na próxima quarta-feira, 6. 

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