Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Beltrame afirma que arrastões ocorreram porque 'polícia está só'

Fim de semana foi marcado por arrastões em praias e reações violentas; secretário diz que PM foi 'tolhida' da missão de prevenção

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 14h45

RIO - Após um fim de semana de arrastões e de reações violentas a eles por parte de moradores da zona sul do Rio de Janeiro, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que vai procurar ainda nesta segunda-feira, 21, o prefeito Eduardo Paes (PMDB). O objetivo é tentar "convocar" a Secretaria Municipal de Assistência Social para ações de prevenção da criminalidade da Polícia Militar na orla da zona sul.

Beltrame criticou a ausência dos assistentes sociais nos últimos sábado, 19, e domingo, 20. Repetindo um discurso que lhe é recorrente, atribuiu os episódios de violência registrados ao fato de a polícia estar "só", sem amparo de outros órgãos do Estado e da prefeitura.

"A polícia não vai resolver tudo sozinha. E isso está acontecendo porque a polícia está só. A polícia foi tolhida na sua missão de prevenção. Precisamos de outros atores para fazer esse papel, porque o esquema está desequilibrado", ressaltou Beltrame. "Temos um órgão que executa tudo isso, enquanto tem várias instituições que fiscalizam. O que vamos fazer é trazer todos os órgãos que tem a ver para esse tipo de ação."

Ao dizer que a polícia foi "tolhida", o secretário se referiu à decisão judicial de agosto deste ano, que proibiu a apreensão, pela polícia, de adolescentes, sem evidências flagrante delito. Os agentes costumavam levá-los às delegacias apenas porque estavam sem dinheiro ou causando tumultos, sem nem mesmo terem cometido atos infracionais.

A determinação da Justiça prevê ações integradas da PM, da Polícia Civil, da Guarda Municipal e das secretarias municipais de Ordem Pública e Assistência Social, com foco na prevenção de delitos e na proteção de adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Beltrame disse que órgãos de inteligência da Polícia Militar já detectaram a articulação de grupos de "justiceiros", que pregam agressões contra jovens que cometerem delitos.

"Eu temo que haja problema de linchamento se isso continuar desse jeito. Em vez de um problema, estamos com o risco de ter dois", destacou Beltrame, afirmando que a polícia terá que se preocupar ainda em reprimir eventuais crimes cometidos por moradores da zona sul.

O coronel Cláudio Lima Freire, chefe operacional do Estado-Maior da PM, disse que o esquema de policiamento será "reavaliado" e admitiu que não há efetivo policial que dê conta do número de praticantes de furtos e roubos que chegam à orla de Copacabana e Ipanema, onde estão as principais praias da zona sul, em fins de semana de sol.

"Não tem polícia no mundo que vai ter essa capilaridade de ter policiais em todos os sinais de Copacabana e Ipanema", afirmou o coronel. Segundo ele, a novidade deste ano é que os assaltante vêm se espalhando pelas ruas dos bairros, em vez de restringirem suas ações às areias e à Pedra do Arpoador, em Copacabana.

A PM também criticou de maneira velada os órgãos de assistência social, as Secretarias Municipais de Ordem Pública e de Assistência Social, pela ausência nas ações que deveriam ser integradas nos últimos dias. 

"Os outros órgãos têm que estar presentes. A Polícia Militar não vai dar conta do recado sozinha. Os órgãos incluídos na decisão judicial têm que estar presentes", declarou Lima Freire. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.