Após índices negativos de violência, Beltrame aumenta policiamento

Após índices negativos de violência, Beltrame aumenta policiamento

Policiamento nas ruas do Rio contará com a ajuda de PMs de três batalhões: dos Estádios, Choque e de Grandes Eventos

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 18h21

RIO - O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, anunciou, nesta terça-feira, 15, que vai implantar um policiamento ostensivo nas ruas do Rio, a partir dos próximos dias. A medida foi tomada após o secretário ter acesso a uma prévia dos índices de criminalidade do mês de fevereiro. Segundo Beltrame, “os dados não são bons”.  Para isso, o policiamento nas ruas contará com a ajuda de policiais militares de três batalhões: dos Estádios, Choque e de Grandes Eventos. Policiais que estão no setor administrativo também vão ajudar, por um sistema intercalado de terças e quintas e segundas e quartas. Eles também terão de cumprir uma “cota de policiamento de rua”.

“Essas medidas foram tomadas ontem já de manhã (segunda-feira) porque no final de semana eu tive uma prévia dos índices de criminalidade do mês de fevereiro e, já fazendo uma prospecção pro mês de março, eles não são bons. Não adianta nós ficarmos esperando o fechamento desses índices e, sim, buscarmos já uma medida para trazê-los para patamares melhores do que efetivamente estavam”, justificou o secretário, em entrevista para imprensa, no Palácio Guanabara, sede do governo.

De acordo com Beltrame, em janeiro e fevereiro, por exemplo, dos 89 menores apreendidos na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, 72% foram presos novamente no mesmo local. Também houve um aumento substancial de prisões: foram feitas 1200 a mais em janeiro e fevereiro deste ano, comparando com o índice do mesmo período do ano passado. Assim como o aumento nas apreensões de armas, de menores e do número de inquéritos relatados pela Polícia Civil. “A violência, infelizmente, não deu sinais de recuo, o que sem dúvida nenhuma faz com que a gente como polícia tome medidas de minimizar isso”, disse Beltrame.

Segundo o secretário, a Polícia Civil também terá “um foco muito grande na receptação de carros roubados, de ouro, de celulares ou de qualquer equipamento que tenha sido furtado”. Porém, Beltrame ressaltou que a violência não se combate só com a polícia. “Estamos tomando medidas extremas, pois a polícia está praticamente no seu limite. Nós não temos mais condições de chamar policiais pra cobrirem as ruas do Rio de Janeiro. Mas também são necessárias outras medidas de outras instituições no sentido de trazer o controle da violência”, declarou.

Beltrame também afirmou que só prender e punir não adianta. “Uma coisa pra nós está muito clara: prender e punir não está fazendo com que as pessoas desistam, se desvirtuem do caminho criminal para um outro caminho. Isso, associado a todos os problemas que nós estamos vivendo, faz com que a gente tome medidas de prospecção, tanto para esse resto de mês, como daqui pra frente. A polícia tem que fazer o seu trabalho, ser criticada, monitorada. As pessoas têm que cobrar policiamento, mas a polícia não pode ficar sozinha nessa história”, argumentou.

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