Beltrame atribui balas perdidas à falta de fiscalização da fronteira

Só em janeiro, 32 pessoas foram vítimas; Polícia Militar informou ter apreendido 41 fuzis no mês passado

Márcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 19h16

RIO - O secretário  de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, creditou o aumento do número de vítimas de bala perdida no Estado - foram 32 só em janeiro - à falta de fiscalização nas fronteiras do País, o que estaria facilitando a aquisição de armamento por parte das facções criminosas. Beltrame ressaltou que "bala perdida no Rio de Janeiro existe há muito tempo".

Nesta terça, a Polícia Militar informou ter apreendido 41 fuzis em janeiro, mais que o dobro do que fora recolhido no primeiro mês de 2014. Muitos deles são de fabricação estrangeira e teriam entrado no Brasil pela fronteira com o Paraguai. "Essa rota é conhecida. O que eu falo há muito tempo é que há a necessidade de empenho do governo federal no sentido de coibir isso."

O secretário destacou que, das últimas 13 vítimas de bala perdida, três foram baleadas em confrontos entre criminosos e a polícia. "O evento bala perdida no Rio de Janeiro não é de hoje. Comemora-se réveillon em Copacabana dando tiro, e já tivemos episódios de pessoas feridas com isso", considerou Beltrame.

Para ele, o aumento do número de casos teria relação direta com a facilidade no contrabando de armas potentes. "Os bandidos hoje têm um apego à arma. Podem ver que querem armas bonitas, niqueladas, com adesivos inclusive de times de futebol", disse Beltrame. "Existe uma ideologia de total banalização à vida e idolatria por armas, de preferência por armas de guerra."

As declarações do secretário foram feitas na tarde desta quarta-feira, 4, durante apresentação da comissão que cuidará do planejamento da segurança para os Jogos Olímpicos de 2016, que será integrado entre os três entes de governo.

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