Beltrame considera 'gravíssimo' furto de armas em quartel da PM

Segundo secretário, autor é um 'bandido travestido de policial'; 29 armamentos sumiram e 9 agentes foram presos administrativamente

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2014 | 13h31

RIO - Após mais uma crise na Polícia Militar do Rio de Janeiro, com o furto de 29 armas nesta quarta-feira, 29, dentro do Centro de Manutenção de Materiais (CMM) que fica nas dependências do quartel do Batalhão de Choque (BPChoque), o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, garantiu a permanência do coronel José Luis Castro Menezes no comando da corporação.

O secretário, que ainda não anunciou se permanecerá no cargo em 2015, classificou o caso como "gravíssimo", cometido por um "bandido travestido de policial", e afirmou que "fatalmente" as armas vão parar nas mãos de criminosos.
 
"É um fato muito grave, gravíssimo. Enquanto nós tínhamos 350 policiais atuando numa área que talvez seja a mais conflagrada hoje do Rio de Janeiro, combatendo efetivamente o crime, uma pessoa travestida de policial furta de sua própria casa essas armas", disse Beltrame, em referência à operação conjunta das Polícias Civil e Militar (com participação de PMs do BPChoque) realizada nesta quarta-feira em comunidades da zona norte do Rio, em especial no Morro do Chapadão, palco de confrontos constantes entre PMs e criminosos.

"Por isso que, se foi um policial, foi um bandido travestido de policial, porque essas armas fatalmente vão ser usadas contra colegas, pessoas que estão operando a segurança pública como deve ser operada."

Beltrame participou, ao lado do comandante da PM, de solenidade de formatura de 484 novos PMs. Ele garantiu a permanência do coronel no cargo. "A primeira coisa que temos de fazer é buscar a verdade dos fatos. De posse da verdade, providências serão tomadas. O que não podemos é agir em cima de ilações, de achismo, de antecipação e de juízo de valor. Isso eu não faço", declarou o secretário. "Na medida em que tivermos a verdade dos fatos e isso for homologado pelo judiciário, aí, sim, nós temos tranquilidade e senso de justiça para tomar as medidas que devem ser tomadas."

Segundo o corregedor da PM, coronel Sidney Camargo, não são apenas três os PMs presos administrativamente, conforme havia sido informado na quarta-feira pela corporação, mas nove: os três do plantão da madrugada e manhã do CMM e outros seis da guarda do BPChoque, estes por "transgressão da disciplina", já que o furto ocorreu durante seu período de trabalho.

"Ainda não identificamos o responsável, mas já temos uma linha de investigação que por ora não vamos divulgar. Estamos também averiguando para saber se foi um policial ou não", afirmou o coronel Camargo. 

Segundo o corregedor, apesar de haver sistema de monitoramento interno no quartel, não havia nenhuma câmera voltada exclusivamente para a sala onde estavam as armas (ele também atualizou a contabilidade do material furtado: 29, e não mais as 28 divulgadas anteriormente).

O coronel acredita que o furto tenha ocorrido na madrugada de terça-feira, 28, para quarta-feira, já que na última contagem, à 1h15, elas estavam lá.

Por volta das 6h, um PM percebeu que a porta da sala de reserva estava aberta, com um cadeado arrombado. Ele e outros dois militares do CMM, que estavam de plantão na madrugada, estão presos administrativamente e prestando depoimento por suspeita de participação no crime. O corregedor não estabeleceu prazo para o fim da investigação. 

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.