Bope/Twitter
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Beltrame diz que polícia está 'sobrecarregada'

O secretário de Segurança Pública do Rio cobrou ações sociais para evitar que os jovens sejam cooptados pelo crime

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2015 | 12h59

RIO - No dia seguinte da prisão de seis traficantes do Comando Vermelho, no Complexo do Chapadão (zona norte), o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que a polícia está "sobrecarregada" e cobrou ações sociais para evitar principalmente que os jovens sejam cooptados pelo crime. 

"A polícia nunca deu voto para ninguém", afirmou, em entrevista ao RJ-TV, da Rede Globo. Segundo Beltrame, "infelizmente o Rio de Janeiro tem lugares onde há verdadeira guerra instalada".

O secretário cobrou dos governos ações efetivas de assistência social, geração de empregos e política para a juventude, entre outras. "Há uma inversão total da sequência dos fatos. Recai tudo na polícia. O Estado brasileiro perdeu a capacidade de seduzir as pessoas a não ir para o mundo do crime", criticou. 

Beltrame também pediu  transparência das instituições voltadas para ações sociais. "Agora todo mundo quer segurança, mas lá atrás não houve visão prospectiva. A Nação tem que combater a violência. Nós abrimos nossos dados todos os dias para as pessoas verem o que fizemos de certo e de errado. No caso da assistência social, dizem que botou milhões de reais. E qual é o resultado disso? A polícia está sobrecarregada, mas fazendo seu trabalho", afirmou. 

Para moradores de comunidades dominadas pelo crime e onde não há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como o Complexo do Chapadão, Beltrame afirmou que a política de segurança será ampliada. "Gostaria de dirigir minha palavra e as ações da polícia para pessoas que não sabem se vão voltar para casa, se poderão levar o filho à escola. Não há milagre para resolvermos um abandono de 40 anos. Mas estamos caminhando", disse.

Beltrame voltou a defender mudanças no Estatuto do Desarmamento, para aumentar as penas para porte de armas exclusivas das Forças Armadas e de grande poder de fogo, como as que foram apreendidas com os traficantes presos na terça-feira. O secretário também disse ser fundamental o policiamento da fronteira, para evitar a entrada de armas e drogas.  

Na terça-feira, o governador Luiz Fernando Pezão defendeu mudanças na lei que autoriza presos, inclusive de alta periculosidade, a deixarem a cadeia para visitarem a família. Dos seis presos do Comando Vermelho, dois, incluindo o líder, Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira, fugiram quando visitavam a família, com autorização da Justiça. "Um bandido condenado a 90 anos, como o Fu da Mineira, não pode receber esse tipo de benefício. A lei precisa ser revista", disse o governador.

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