Beltrame e Polícia Civil defendem uso de helicóptero em ação

Secretário de Segurança garante que operações, como a que deixou 12 mortos na Coréia, vão continuar

PEDRO DANTAS,

18 Outubro 2007 | 19h35

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, voltou a defender a operação de quarta-feira que resultou em 12 mortes na Favela da Coréia, na Zona Oeste do Rio, e disse que os dois homens perseguidos e mortos por um helicóptero da Polícia Civil estavam armados e participaram de um ataque a uma equipe de policiais. 'Bandido que não tem medo não conheceu o Bope', diz ex-comandante  Imagens da operação na Favela da Coréia  Jobim elogia Cabral por 'enfrentar crime' no RJ AOB classifica como 'cenas de barbárie' Mãe enterra filho de 4 anos que morreu "Eles estavam armados e quase mataram a tiros uma equipe da DPCA (Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente) que estava em uma casa cercada por marginais. O blindado não conseguiu chegar até a casa. Se não fosse a ação do helicóptero, eles teriam assassinado os policiais", afirmou Beltrame. O chefe da Polícia Civil do Rio, Gilberto Ribeiro, também defendeu a ação dos policiais e o uso dos helicópteros em operações nas favelas. "Se a polícia do Rio é a única que trabalha com atiradores embarcados em helicópteros, isto ocorre porque nossa realidade e geografia exigem", comentou Ribeiro. Os vôos rasantes de helicópteros com homens armados em favelas foram proibidos no primeiro governo Leonel Brizola (1983-1987). As imagens da TV mostram dois homens pardos sem camisa fugindo dos tiros do helicóptero em uma mata. Em poucos segundos e após inúmeros disparos, os dois são atingidos. De acordo com a polícia, uma equipe da DPCA, comandada pelo delegado-titular Deoclésio Francisco de Assis, foi cercada por duas horas por traficantes nas matas da Vila Aliança, favela vizinha da Coréia, que junto com a favela do Rebu formam o Complexo do Camará. Os policiais se refugiaram em uma casa. Um carro blindado foi chamado para socorrer os agentes, mas não conseguiu chegar até o local. O helicóptero da Polícia Civil foi acionado e dispersou os bandidos. Três deles se esconderam atrás de uma pedra e atiraram contra a aeronave. Os policiais revidaram e dois que desceram pela mata foram mortos pelos tiros. Um conseguiu fugir. Segundo a polícia, duas pistolas foram apreendidas com os criminosos. O diretor das Departamento de Polícia Especializada, delegado Allan Turnowski, disse que o "tiroteio pesado é um padrão" nas favelas do Complexo do Camará, apontada por delegados como as favelas onde os traficantes possuem o segundo maior poderio bélico depois do Complexo do Alemão. Segundo Turnowsky, a prova do poder de fogo do tráfico local foi o cerco de uma hora e meia aos seis traficantes que se refugiaram em uma casa. "Eles se entregaram apenas quando a munição acabou e neste tempo mataram uma criança e um policial". Quatro policiais também foram feridos durante o cerco, entre eles o delegado-titular da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, que teve alta ontem. Os presos responderão por duplo homicídio, porte de armas, tráfico de drogas e formação de quadrilha. Apontado como entreposto de venda de drogas para a região serrana e litoral norte do Rio, o Complexo do Camará é apontado por diversos policiais como uma favela perigosa para incursões. "O local é plano, algumas ruas são largas e não há onde se abrigar. As casas ficam abertas por ordem dos traficantes que podem estar escondidos em qualquer uma delas," revelou o delegado-titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, Marcus Vinícius Braga. O policial Sérgio da Silva Coelho, de 43 anos, que morreu durante a operação, foi atingido quando se aproximou de uma casa invadida por seis marginais. Coelho foi enterrado ontem no cemitério do Caju, na zona portuária. Apesar de aprovada pela cúpula da Polícia Civil, a operação não alterou o cotidiano dos moradores de Senador Camará. Nesta quinta-feira, na Estrada do Taquaral, um dos acesso ao conjunto de favelas, não havia policiamento especial. A freqüência nas escolas foi baixa devido ao medo de novos confrontos e alguns comerciantes não abriram as lojas. Um menor ,aparentando 12 anos de idade e armado com uma pistola, expulsou uma equipe da TVE. "Não planejamos ações violentas e as recentes operações na Rocinha e no Dona Marta (ambas na Zona Sul carioca) provam isso. Porém, em outras regiões as reações dos marginais são diferentes. Se achamos uma casa com marginais portando granadas, 1,5 mil munições para pistolas e fuzis temos que reagir. Talvez a solução fosse colocar a cabeça embaixo da mesa, mas isso não vou fazer", disse Beltrame. Ele garantiu que as ações vão continuar. Poder de fogo   Quatro policiais ficaram feridos e 13 pessoas foram presas. A própria polícia ficou surpresa com o poder de fogo dos traficantes, já que em muitos pontos da favela policiais foram encurralados pelos traficantes e precisaram pedir reforços e munição. O próprio comandante da operação, delegado Allan Turnowski, teve de solicitar o apoio do helicóptero da Polícia Civil para conseguir sair do interior da favela. "A atuação do helicóptero tem que ser muito elogiada. Ele foi usado de forma a não permitir que os traficantes pulassem muros. Em um determinado momento, eles pousaram o helicóptero, desceram para a infantaria e voltaram para o helicóptero para sobrevoar a área", disse Turnowski.   Imagens da TV Globo mostram um dos momentos mais tensos da operação aconteceu por volta das 11 horas. Policiais que estavam no helicóptero trocavam tiros com traficantes que se escondiam dentro de casas, e fugiam para a mata, na tentativa de escapar da mira dos policiais. Durante a operação, foram apreendidos pela polícia uma metralhadora ponto 30, cinco fuzis, seis pistolas, quatro granadas e munição. var keywords = "";

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