Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Beltrame quer transferir para presídio federal suspeito de matar capitão da PM

Cassiano da Silva Harris teria matado comandante da UPP Nova Brasília; secretário diz que morte 'legitima' ações adotadas

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 14h44

RIO - O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, pedirá a transferência para presídio federal de Cassiano da Silva Harris, de 20 anos, suspeito de ter participado do ataque ao capitão Uanderson Manoel da Silva, comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte da capital.

Beltrame esteve nesta sexta-feira, 12, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste, para o velório do capitão Uanderson.

O policial militar foi morto com um tiro no tórax em uma troca de tiros com traficantes. Policiais patrulhavam uma localidade conhecida como Largo da Vivi, perto da sede da UPP, e foram recebidos a tiro pelos traficantes. Eles pediram reforço pelo rádio e foram atendidos pelo capitão Uanderson.


O comandante saiu sem colete e foi atingido por um tiro de pistola 9 milímetros no tórax. Ele chegou a ser operado no Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.

"O capitão recebeu alerta de prioridade e saiu em socorro dos colegas. Não é fácil ver uma família devastada, (mas a morte dele) legitima nossas ações", disse o secretário. "Temos resistência em dois ou três territórios, mas não podemos esquecer que são 230 territórios (com UPP) com índices de criminalidade menores do que a ONU (Organização das Nações Unidas) prevê."

Beltrame ressaltou que a desorganização urbanística das favelas "serve de trincheira" para os criminosos e que "os PMs ficam desprotegidos". "Não é um terreno organizado e a polícia fica à mercê de qualquer ato de covardia. Não vamos arredar um milímetro."

Na manhã desta sexta-feira, a reportagem fotográfica do Estado flagrou quando um homem ainda não identificado foi preso por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no galpão de uma antiga fábrica de tecidos onde hoje há uma ocupação. Pelas investigações, ele está envolvido no confronto que terminou com a morte do capitão Uanderson. No momento da prisão, houve confusão, moradores reagiram, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo chegaram a ser usados.

Cassiano da Silva Harris foi preso na madrugada desta sexta-feira por portar uma granada. Ele foi reconhecido por policiais da UPP Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte - a 3,5 quilômetros do Complexo do Alemão. A polícia investiga se ele participou da morte do comandante. 

De acordo com o delegado Carlos Eduardo Rangel, da 22ª Delegacia de Polícia (Penha), Cassiano, que é integrante da facção Comando Vermelho e atuava na Vila Cruzeiro, teria jogado a granada contra uma viatura policial. O suspeito teve a prisão temporária decretada por 30 dias.

"Não vou esperar que outra granada caia e mate quatro ou cinco PMs", afirmou Beltrame. O artefato usado por Cassiano não detonou por uma falha.

O secretário voltou a pedir mudanças na legislação penal. "O tráfico usa muita gente sem passagem (pela polícia) e menores de idade e (se aproveitam) do benefício do sistema jurídico que coloca essas pessoas na rua novamente."

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